carpe diem

Photo : KaDDD

O mês de dezembro foi peculiar e o dia do meu aniversário foi passado entre o apartamento onde vivo e uma excursão a quatro até ao centro de rastreio Covid. Uma semana antes tínhamos estado em casa de dois familiares do meu marido que confirmaram, mais tarde, serem positivos. Confesso que, na altura, ninguém tinha máscara, com exceção do meu filho que raramente se separa dela (tal foi o susto que apanhou com o maldito vírus!). Após este episódio infeliz, a Segurança Social exigiu-nos dois testes, o serológico e o RT-PCR. O primeiro confirmou-nos duas coisas: tivemos o vírus e ainda temos anticorpos. Obviamente que o segundo deu negativo.

Um momento de desatenção provocou uma reviravolta nas nossas rotinas. Os meus filhos não foram à escola durante oito dias e os amigos mais chegados entraram em pânico. Eu estive em teletrabalho e os nove colegas com os quais partilho habitualmente o mesmo espaço foram forçados a fazer o mesmo, por precaução. Felizmente, o meu marido não pode trabalhar à distância, por isso, couberam-lhe a ele as tarefas domésticas, algo que faz com agrado.

Foram vários os Natais que não passei no meu país por razões profissionais. Os meus filhos fazem questão de se reunir com a família portuguesa nesta altura do ano e estão habituados a viajar sozinhos. Prometi-lhes que, em 2020, não trabalharia durante este período e que, estaríamos todos juntos em Portugal. Pude apenas cumprir uma das promessas. Ainda não foi desta que nos voltamos a reunir.

Em França, os restaurantes, cafés, pastelarias e bares estão totalmente fechados desde 30 de outubro e devem permanecer assim, até pelo menos, 20 de janeiro. Cenário idêntico para os cinemas, teatros e salas de espetáculos. É desolador passear pelas ruas pedonais do centro histórico da cidade onde vivo. O recolher obrigatório também continua e agora passou a ser das 20h00 às 06h00. A única exceção é o dia 24 de dezembro. No último dia do ano estarão 100.00 polícias na rua para que a população cumpra o distanciamento social. Liberdade (mais que) condicionada. Tolerância zero.

Apesar do governo ter autorizado seis adultos (as crianças não contam) na ceia de Natal nós decidimos passar a noite de 24 de dezembro só os quatro. A minha filha ficou tão traumatizada com o teste Covid que se recusa a partilhar a casa com outras pessoas que não pertençam ao agregado familiar.

A mesa foi decorada a preceito e cada um tinha um menu personalizado. O chef impressionou-nos com o seu sumptuoso festim. E até houve bacalhau! Jogamos ao Cluedo, ao Trivial Pursuit Junior e quando eu já estava à beira de um ataque de nervos com o interminável Monopoly o meu filho decidiu que estava na hora de abrir os presentes. Aleluia!

Este ano foi assim. Em 2021 logo se verá. Deixei de fazer planos e cada vez tenho menos expectativas. Vivo o momento porque há certas realidades que nos escapam e outras que nunca chegamos a controlar. Carpe diem.

Filipa Moreira da Cruz
Dezembro 2020

Votre commentaire

Entrez vos coordonnées ci-dessous ou cliquez sur une icône pour vous connecter:

Logo WordPress.com

Vous commentez à l’aide de votre compte WordPress.com. Déconnexion /  Changer )

Photo Google

Vous commentez à l’aide de votre compte Google. Déconnexion /  Changer )

Image Twitter

Vous commentez à l’aide de votre compte Twitter. Déconnexion /  Changer )

Photo Facebook

Vous commentez à l’aide de votre compte Facebook. Déconnexion /  Changer )

Connexion à %s

Créez votre site Web avec WordPress.com
Commencer
%d blogueurs aiment cette page :