Saudade

Photo : Filipa Moreira da Cruz

E, de repente, sou invadida por uma enorme saudade
Daquelas que nos matam os afetos e nos tiram a liberdade
Das que nos queimam por dentro devagarinho
Removendo tudo como um bichinho.

Esta frustrante saudade invisível e pessoal
Mostra-me apenas que sou um ser banal
Desses que riem, choram, gritam e calam
Dos que tentam tudo para acalmar a alma.

Palavra só nossa, sem tradução
Fado, destino ou mera ilusão
Sinto um enorme aperto no coração
Ultrapasso as fronteiras e perco a razão.

Devora-me essa saudade palpitante e crescente
Do passado, do futuro e do presente
Do que fui, do que sou e do que não chegarei a ser?
Do que tive e perdi, do que tenho e do que penso vir a ter.

Filipa Moreira da Cruz