La vie en rose et violet

Je vois la vie en rose
Pourquoi pas en violet?!
J’écoute des chansons moroses
Qui me rendent plus gaie
Je veux du fuchsia, du tagada et du bonbon
Je mélange toutes les nuances pour trouver mon ton
Un univers gloss et pailleté est prêt
Pour accueillir les fleurs, les senteurs, les objects
Le Printemps est là, ça tombe bien
Je l’attendais impatiemment.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz, KaDDD et Paul Laurent Bressin

Felicidade

Vou contar-te um segredo
Os homens dão a volta ao mundo
Em busca de fama e de poder
E num segundo o ter aniquila o ser
A humanidade enfia uma máscara agridoce
Uns dias sai o sol e noutros chove
De repente, o universo torna-se pequeno
A loucura engole o sereno
A alienação espezinha a razão
Colecionam-se coisas e não recordações
Brisam-se corpos e corações
E esses seres insignificantes
Esquecem-se que a vida são meros instantes
A morte, essa sim, é uma certeza
E a lenda reza
Que ninguém cá ficará
Para contar como acabará
Então, não será melhor começar a viver?
Olha ao teu redor
A felicidade tem cheiro e cor!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Tea for four

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Deep blue sky
Mysterious sea
Thick sand
Invigorating breeze
My hair is a mess
And so is my life
Upside down
Empty chairs
Empty heart
I see my city
From the other side
I’m an outsider
Until when?
If only I knew…
Meanwhile, take a seat
The water is boiling
Life is always better
After a cup of tea.

Filipa Moreira da Cruz

Uma casa como a minha

Casa é calma e aconchego?
Nem sempre
Há casas que são desasossego
E distraem a mente
Lar doce lar?
Algumas
Noutras é um inferno lá morar
Duvidas?
Queres entrar?
Bonita e sofisticada por fora
Quando entras, sonhas em ir-te embora
Os que lá moram choram em silêncio
Da violência fazem um convênio
Prefiro a minha casinha
Simples e pequenina
Em cada canto, respira-se magia
E todos os dias são uma alegria.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Água é vida

Embalada pelas ondas do mar
Deleitada pelo cheiro a maresia
De pés descalços sinto a água
Que me enche de vida

Azul, verde, esmeralda
Simplesmente tudo e nada
Riacho, ribeira, rio, oceano
O divino toca o profano

As minhas mãos são ramos de árvores
Os meus olhos são dois lagos
O meu corpo levita rodeado de flores
Deus reside em cada um de nós.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Dérision

Photo : KaDDD

J’ai une étrange sensation de déjà-vu
Qui accompagne l’eternelle déformation
D’une réalité désossée

Les gens manquent de délicatesse
Pourvu que la défaite
Ne devienne pas un désarroi
Sinon le détachement
Conduira au désespoir

Il y aura un décalage
Entre le devoir et le dégoût
Mais, j’attends toujours le dépaysement
Qui me fera accepter des véritables défis
Dans le cas contraire, arrivera la démence

Allez, on fonce sans penser aux dégâts!
De toute façon, le monde est devenu
Corrompu de la fin jusqu’au début.

Filipa Moreira da Cruz

Âme vagabonde

La douceur de mon enfance à Lisboa
Saudades da vida boa!
La jeunesse loca à Barcelona
Et après, la suavidad à Girona
Il primo bacio a Roma
Enveloppé par un forte aroma
I ricordi volano come una colomba
My american dream à New York
Sans regrets ni remords
Une soeur à Atlanta
Allez, on y va?
Un certain été à Porto
Il fait si beau!
Et que dire de Torino
Andiamo fare un giro?
Une vie entière à Paris
Je ferme les yeux et j’y suis
Un deuxième chez moi à London
Un inoubliable automne à Boston
Oh my God!
Trois fois à Venezia
Glamour e sottigliezza
Les nuits étoilées à Annecy
Le bonheur est servi
Un tour de manège à Genève
Sous le froid et la neige
Un carnaval de folie à Rio
La fiesta à Ciudad de Mexico
Un festival de cinéma à Donostia
Roméo et Juliette à Verona
Une promenade en bateau à Copenhagen
Avec toi, le tandem
La Tosca à Prague
Ce n’est pas une blague!
Un hiver à Strasbourg
Je connais bien mon parcours
Twice in Stockholm
Far away from home
Uma aventura à Salvador da Bahia
Une âme perdue à Cracovia
Dans le sud, à Nice
Le soleil n’est pas un caprice
La plus belle amitié à Berlin
Une parenthèse à Dublin
Le temps d’une dernière Guinness
Oh happy…mess!
Le monde est vaste
Et je suis une incorrigible enthousiaste
Je le veux tout entier
Ses lacs, ses montagnes, ses villes, ses sentiers
Sans oublier le plus important
Les gens!
Et Saint-Malo, alors?!
Chut… j’en profite, encore!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz



Momentos mágicos

Photo : Paul Laurent Bressin

Asomate a la ventana
Sueño con tu melena de color avellana
Dejame que te vea cuando pasas
Tus ojos son dos mariposas
Que iluminan los días más tristes
Y tu sonrisa juega al despiste
¡Ay, qué maravilla!
Ojalá este instante no termine nunca
Mi vida es tan aburrida
Sin chispa ni risas
Tu eres mi sol, mi alegría
A tu lado me siento ligero
Y olvido mis penas y mi agonía
Contigo la vida huele a rosas
Y sabe a dulce de leche.


Filipa Moreira da Cruz


Se não for Covid, pode esperar?!

Photo : KaDDD

Há uns dias ligou-me uma amiga. Finalmente (pensei)! A última vez que falamos ao telefone foi no início do ano. Depois dessa data enviei-lhe várias mensagens, mas nunca obtive nenhuma resposta. Quando atendi o telefone apressou-se a desculpar-se dizendo-me que estava muito ocupada. Com o quê? Não tem filhos e está em layoff desde novembro. Obviamente que estas ilações não foram pronunciadas em voz alta. Tento sempre evitar juízos de valor antes de conhecer a situação. Ainda bem que o fiz.

A Louise soube, em Fevereiro, que tem um cancro do cólon e começou, pouco depois, os tratamentos. Três vezes por semana, a ambulância vai buscá-la a casa para as sessões de radioterapia. O cateter já foi colocado para a quimioterapia que se segue. O médico disse-lhe que foi diagnosticada a tempo, mas lamentou que a paciente não tivesse ido à consulta desde o aparecimento dos primeiros sintomas. A minha amiga relembrou-lhe que o rendez-vous foi adiado três vezes por causa da « crise sanitária ».

Não pude deixar de pensar na minha mãe. Tal como a Louise, também ela não gosta de incomodar os outros com aspetos ligados à saúde e raramente se queixa. Quando me ligou para anunciar-me que tinha um cancro (o primeiro) disse-me: « estou com um probleminha ». Eu perdi o chão, faltou-me o ar. Fiquei sem palavras. Algo que acontece raramente. Na altura, vivia em Paris e estava a ponto de mudar-me, com a família, para a Nova Caledónia. O meu marido acabou por recusar a oferta de trabalho. Estava fora de questão ir viver para o outro lado do mundo.

A situação repetiu-se, mas eu não fui atrás da história da Carochinha. Quando a minha mãe me voltou a anunciar outro probleminha apanhei o avião e conversamos na sala da casa em Alvalade, pouco tempo depois de ter aterrado. Uma das vantagens de ter um aeroporto dentro da cidade. Acompanhei-a ao médico na Avenida de Roma e a uma consulta no IPO, onde fiquei na sala de espera. Desta vez, a minha mãe foi tratada exclusivamente no hospital público, o que a fez respirar de alívio por razões económicas e, sobretudo, humanas. Os serviços privados, muitas vezes, dão-se ares de hotéis de cinco estrelas esquecendo-se que os pacientes não precisam de room service 24 horas ou de um concierge, mas sim de quem cuide deles.

A Louise não tem outro remédio que ser seguida numa clínica privada porque a prioridade dos hospitais públicos ainda é a Covid. Felizmente, ela tem um bom seguro de saúde. Mas e se não fosse o caso? Como se tratam, neste momento, as pessoas que não têm dinheiro? Quantas operações foram adiadas? Quantas cáries não foram tratadas? (Espero que não seja o meu caso porque tenho pânico do dentista!) Quantos cancros não serão diagnosticados a tempo? Deixámos de ter direito a estar doentes. Só somos considerados seres humanos que necessitam assistência médica enquanto tivermos o vírus. Assim que o resultado for negativo deixamos de ser importantes aos olhos da medicina, ignorando-se os sintomas que persistem. Escrevo-o com conhecimento de causa.

Filipa Moreira da Cruz

The world is on fire

Red feelings
Red life
Red anger
Red fears
Red love
Red blood
Red lights
Red hope
Red mire

Red beings
Red knife
Red answer
Red tears
Red dove
Red mud
Red fights
Red stroke
Red fire

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz, KaDDD et Paul Laurent Bressin.