O que têm em comum Omar Sy e Pelé?

Photo : Filipa Moreira da Cruz

A minha filha quis saber a atividade que mais desejo retomar quando este semi-confinamento terminar. Sem hesitar, respondi: ir ao cinema. Reconheço que sou antiquada. Quase ninguém vai ao cinema. Não temos Netflix, nem Amazon Prime em casa. Obviamente, vejo filmes através da internet, sempre em versão original (coisa rara em França!), mas a sensação não é a mesma. Nada substitui a emoção do grande ecrã. Tenho a sorte de viver num país com uma longa história cinematográfica. Ou não fossem os irmãos Lumière conhecidos como « os pais do cinema »!

Neste momento, a escola está fechada para férias e aproveitamos para ver um filme depois do jantar. Um hábito introduzido logo no início do primeiro confinamento. Desta vez, cabia ao meu filho escolher, mas a Mathilde não se deu por vencida. Tinha já um título em mente e persuadiu o irmão a apoiar a sua ideia. « Demain tout commence », pela terceira vez! Um filme com Omar Sy, o ator favorito da minha filha.

No dia seguinte, era eu a decidir. A pedido do meu filho, optei por « Pelé: o nascimento de uma lenda ». Ninguém se opôs. O meu marido achou graça às escolhas, interpretando-as como um sinal. Sem sabermos, reavivamos-lhe a memória. Recordou tempos que parecem fazer parte de outro século. Na altura, não pensei muito no assunto. O serão seria passado no sofá, os quatro, juntinhos, a ver a história de uma lenda do futebol.

Quando estamos de férias, o pequeno-almoço dura uma eternidade. Crepes, batido de fruta, torradas… A primeira refeição do dia parece um brunch. E há tempo para tudo! Até mesmo para ouvir as histórias do pai. Desta vez, contou-nos quando, em 2014, conheceu o Pelé e o Omar Sy, em dias diferentes e em cidades distintas.

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Edson Arantes do Nascimento deslocou-se a Paris na Primavera de 2014, o mesmo ano em que o seu país acolheu o campeonato do mundo de futebol. Pelé veio inaugurar uma exposição dedicada ao desporto rei e ficou alojado num hotel no centro da capital, o mesmo onde o meu marido trabalhava. Mas ele não ficou muito empolgado porque detesta futebol, ao contrário de mim. Ironias da vida! Ainda assim, o reencontro com a estrela brasileira foi emocionante.

O antigo jogador quando soube que a mulher do responsável da equipa era portuguesa falou todo o tempo em português. O meu marido acompanhou-o, o melhor que pode, e quando o Pelé lhe pediu um « cházinho » o Sébastien traduziu, orgulhoso, aos colegas. Se há uma coisa que eu bebo é chá! Depois de uma grande lavagem ao cérebro, consegui convencê-lo a tirar uma fotografia ao lado do Pelé. Ele é totalmente contra estes pedidos. O que uma pessoa faz por amor! Guardo com orgulho a fotografia dos três: O Pelé, o Sébastien e a taça.

No Verão desse mesmo ano, mudámo-nos para San Sebastian, no País Basco. No final de Setembro a cidade acolhe o Festival de Cinema e, em 2014, o filme em destaque era « Samba », dos mesmos realizadores do magnífico « Intouchables » e com a banda sonora a cargo do génio Ludovico Einaudi que também compôs a música do outro filme citado. Omar Sy e Charlotte Gainsbourg ficaram hospedados no hotel mais luxuoso e emblemático de Donostia, o novo local de trabalho do meu marido. Durante três dias, o Sébastien partilhou piadas com o ator francês que ficou encantado por saber que alguém falava a mesma língua que ele. Desta vez, não pedi nenhuma fotografia. Não quis abusar da sorte! Além disso, o meu marido poderia ganhar coragem e perguntar à filha de Gainsbourg se não se importaria de pousar ao seu lado para uma selfie.

Às vezes, tenho saudades desses tempos. A vida era tão ligeira! Restam-me as recordações. Felizmente, não são poucas. Quando for velhinha, contarei aos meus netos os encontros, recheados de anedotas, com as estrelas de cinema, os cantores, os escritores, as figuras políticas internacionais… Será que eles vão querer saber como conheci o Brad Pitt, em 2009? Talvez não. Mas, posso dizer-lhes, que numa outra vida, existiu um grupo francês chamado Daft Punk, cujos dois músicos eletrónicos não reconheci, quando me cruzei com eles, porque não tinham os famosos capacetes, claro! Mas isso fica para a próxima.

Filipa Moreira da Cruz

10 commentaires sur « O que têm em comum Omar Sy e Pelé? »

  1. 🌷 Bom dia 🌻 Amiga,eu também quero cinema, íamos todo final de semana… quando estamos em Santa Catarina,pois no Rio Grande do Sul o mais próximo fica. 200 kilometros…o que também é bom,pois nós dá um tempo extra na natureza 😉❤️ Fé, é o que nos resta… aqui no Brasil está um horror… vamos levando 🌹✨

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  2. Recordar é viver e reviver.
    Também tenho saudades de fazer algumas coisas que não é possível de momento, caminhar na natureza é uma delas, daqui de onde estou vejo a Serra do Gerês, todos os dias tenho vontade de ir percorrer os seus trilhos e abraçar a natureza. Passar o tempo com a família é bom, recordar, viver, conhecer melhor tocar em algumas aventuras e partilhar.
    Um abraço grande e uma boa semana.

    Aimé par 2 personnes

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