A melodia das cotovias

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Morre de sofrimento esta família que se esconde por detrás dessa janela, igual a tantas outras.
Outrora alegre, esta casa está triste e melancólica, afogada nas memórias do passado. Não é azul, mas sim preta a cor que a rodeia. O vaso está quebrado, as flores murcharam e o olhar do gato ficou transparente, insípido. As cortinas sujas e comidas pelo sol contam histórias a quem tiver coragem para as escutar.
Passaram-se seis anos desde que essa alma partiu e a vila inteira foi invadida de rancor e sofrimento.
Longe vão os tempos em que se ouvia música e se dançava até de madrugada. Nessa altura, as flores cresciam suavamente, embaladas pela doçura do riacho. Os sonhos tinham asas e as alegrias não conheciam limites. Mas ficaram para sempre os sentimentos que deslizam ao som da melodia das cotovias.

Filipa Moreira da Cruz

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