L’art sans parole

Les faits Plumes

J’étire mes rêves

jusqu’à trouver le geste sûr

qui par delà les nœuds du quotidien

détend le fil de mes mimiques

Ainsi, je roule en équilibre et sans ménagerie

sur des torons de folichonneries

sans ne jamais pincer les lèvres

avec lesquelles je ris

© Les faits Plumes

© Sveta Dorosheva

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Mélodie silencieuse

Les poètes sont des oiseaux : tout bruit les fait chanter.

François-René de Chateaubriand

Soulever le voile des apparences
Évoquer l’insouciance de l’enfance
En s’accrochant à son indépendance
Laisser parler les étoiles muettes
S’attacher aux petites choses bêtes
Accepter la souffrance sans peur
Vivre le jour à jour en oubliant les douleurs
Inventer des mythes et des histoires
La vie est aussi contradictoire
La vérité demeure inaccessible
Et le mensonge est si paisible!
L’ignorance reste habitable
Le silence qui blesse est infatigable
Les faits-divers reprennent leur rythme apaisant
Nous sommes à nouveau vivants.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Asas quebradas

O anjo voa, embora não tenha asas.
Quando a exaustão chega, adormece com a cabeça nas nuvens, ignorando as fortes brasas que lhe queimam os pés.
O seu corpo é um imenso mar azul.
A sua alma é dourada e leve como a areia da praia num dia de Verão.
Não sente calor nem frio.
Desconhece a fome e a sede.
Avista ao longe a cidade, mas prefere ausentar-se do seu bulício.
Todas as noites, visita os que nele acreditam e lhe encomendam doces sonhos.
Atira bem alto os medos alheios e devolve a esperança à Humanidade.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz


Une vie

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Ma force devient une faiblesse
Ma grandeur frôle l’imperfection
Ma fierté se transforme en éffroi
Ma résilience n’est qu’une illusion
J’échange les jours par les nuits
Je préfère le silence au mots mal placés
Je m’acccroche à la vie
Même si la mort me chasse
Et mes pensées changent de couleur
Une angoisse hybride traverse mon esprit tourmenté
La peur masque le courage
Mais je retrouve ma sérénité.

Filipa Moreira da Cruz

Pink versus purple

Pink flowers
Purple rain
Pink powers
Purple strain
Pink walls
Purple doors
Pink recalls
Purple roars
Pink panther
Purple effort
Pink manner
Purple record
Pink balance
Purple tears
Pink dance
Purple fears
Pink strive
Purple friend
Pink paradise
Purple end.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Historias sin fin

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Que nunca se apague la esperanza
Que el camino sea más que añoranza
Que no se mueran las flores del jardín
Ni las historias o leyendas sin fin
Que nunca nos quiten las estrellas en el cielo
Ni el amor puro y bello
Que no nos fallen las mariposas
Que siempre tengamos cosas hermosas
Que no se acaben las risas ni las carcajadas
Que sigamos creyendo en duendes y hadas
Que no nos olvidemos de la ternura
Ni los momentos de dulzura
Que no nos quiten lo bailado
Ni el día más deseado
Que los inviernos sean cortos
Que cuiden de nuestros corazones rotos
Que las palabras sean sinceras
Que sean largas las primaveras
Que el pasado nos sirva de lección
Que el presente rime con acción
Que los amigos siempre estén
Que la familia no se ausente
Que la vida sea un largo respiro
Que la muerte no pase de un breve suspiro.

Filipa Moreira da Cruz

Ai que saudades!

Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem porque têm essa palavra para dizer que as têm.

Fernando Pessoa

Tenho saudades do que em tempos fui e do que nunca serei
Tenho saudades do que tenho e do que ainda não encontrei
Tenho saudades dos que partiram
Tenho saudades dos que ainda não chegaram
Tenho saudades dos que foram e já não são
Tenho saudades dos que, um dia, serão
Tenho saudades dos fugazes encontros
Tenho saudades dos eternos desencontros
Tenho saudades das terras longínquas
Tenho saudades das conversas ambíguas
Tenho saudades daquele abraço
Tenho saudades de repousar no teu regaço
Tenho saudades da partilha e da comunhão
Tenho saudades, de um dia, conseguir dizer não
Tenho saudades da multidão
Tenho saudades da solidão
Tenho saudades da desconcertante felicidade
Tenho saudades de ter saudade.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Éternit’éphémère

Photo : KaDDD

Il fait dimanche tous les jours
Tes caresses sont plus douces que le velours
Je te dévoile avec pudeur
Ta bouche est délicate comme une fleur
Chaqu’ instant dure une éphémère éternité
Et un soupçon de bonheur vient doucement s’incruster
Écorché sous ma peau
Je te couvre d’un long baiser à nouveau
Le désir a un goût de miel
Et l’amour connaît la même plénitude quand on contemple le ciel.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

La gente se va

Santiago Galicia Rojon Serrallonga

SANTIAGO GALICIA ROJON SERRALLONGA

Derechos reservados conforme a la ley/ Copyright

A los que ya no están

Y así se vacían las casas, hasta que un día se desvanecen aquellos rostros de familias, sonrientes, dichosas, sí, personas acompañadas y solitarias que se convierten en pedazos, en evocaciones, en ecos y sigilos. Uno, al paso de los años, regresa a las calles de su infancia, a los rumbos de su adolescencia, a los domicilios de su juventud, donde las fachadas tienen otros colores y apariencias, idénticos a sus nuevos moradores, tan distintos a los de antaño, a los de apenas hace algunos años. Algo se llevó los juegos y las rondas infantiles, los sueños de la adolescencia, las ilusiones y las locuras juveniles, los proyectos de la madurez y los recuerdos, las historias y los relatos de los ancianos. Envejece todo. La gente va y viene. Los cuneros permanecen repletos de…

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Abençoada loucura

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Loucos são aqueles que ousam ser felizes
E pintam o dia com diferentes matizes
Fazem as pazes com o medo
A vida é um maravilhoso segredo
Prestes a ser desvendado
Esse tesouro tão bem aguardado
Cabe na mão, no peito
Embora de infinito seja feito
Loucos são aqueles que buscam a verdade
Em nome da tal liberdade
Perseguem sonhos
E falam baixinho com anjinhos
Acreditam em fadas
E partilham histórias inventadas
Guiam-nos por labirintos
Dispersos em vários recintos
Louca serei eu também
Por confiar de olhos fechados na minha mãe
Um amor ímpar e verdadeiro
Será sempre o primeiro
A nascer, a crescer, a voar
Libertando-se do céu e do mar
Uma estrela que brilha no firmamento
Solta, num total desprendimento.

Filipa Moreira da Cruz

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