Janela indiscreta

Photo : Paul Laurent Bressin

Da minha janela
A vista é singela
Oiço assobios de pássaros
Coleciono pedaços
Cheiro a fragrância da Primavera
Anseio pela doce espera
Da minha janela
A história é digna de uma novela
Um vaivém de gente
Todos seguem a corrente
Um rodopio, uma azáfama
Focos, luz e fama
Da minha janela
A vida é terna e bela
O mar está sempre presente
E eu sou a sua confidente
O sol ilumina os dias mais tristes
Basta-nos coisa pouca para sermos felizes.

Filipa Moreira da Cruz

¡Cuéntame un cuento!

Es tan corto el amor y es tan largo el olvido.

Pablo Neruda

Te cuento un cuento
Si no lo sé, me lo invento
Con arándanos, frambuesas y fresas
Una caja llena de sorpresas
De todos los colores
Y de múltiples sabores
Un arcoíris de oportunidades
Un oceano de realidades

Te cuento un cuento
Si no lo sé, me lo invento
El mundo es un pañuelo
Y tengo lo que más anhelo
Veo saltimbancos y pallazos
El cielo cubierto de trozos
De un amor sincero y puro
Bello, fuerte y seguro

Te cuento un cuento
Si no lo sé, me lo invento
Que habla de un niño que se fue lejano
Pero que volverá, tarde o temprano
Hago lo que me da la gana
Soy tu amiga, tu confidente, tu hermana
Uno, dos, tres…
¿Te lo cuento otra vez?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Mis manos

Mis manos cuidan
Protegen y acarician
Recogen alegrías
Y muchas tonterías
En mis manos
Crecen flores de todos los colores
Y salen frutos de multiples sabores
Con mis manos salgo pescando
Niños bailando
Sueños revueltos
Rompecabezas no resueltos
Mis manos
Hacen maravillas
Por ti, lo hago todo
Basta que me lo pidas
Sin mis manos
¿Cómo lo disfrutarías?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Flores y colores

Reprise

Me miras y tiemblo
Pierdo mi rumbo
Y encuentro la paz en tu jardín secreto
Escucho « te quiero »
Y casi me muero
Tus caricias son delicadas como las mariposas
Tus besos son dulces como las fresas
Y las flores en el camino
Ay casi me olvido…
Son los colores que dan vida y alegría
A los días más tristes e insípidos.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Silencio

Reprise

Hoy no tengo fuerzas para enfrentarme al mundo
Necesito quedarme sola
Quiero perderme en un lugar lejano
Donde nadie pueda encontrarme
Escuchando el silencio
Que vive entre las flores y las mariposas.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Sorri para mim

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Sorri para mim
Mostra os teus olhos envergonhados
Colhe uma flor no jardim
Solta o sorriso desses lábios

Sorri para mim
Liberta a gargalhada contida
Dá cor às tuas doces faces
Que te enchem de vida

Sorri para mim
Junta a alma à vontade
Agarra a brisa que passa
Num dia de tempestade

Sorri para mim
Só uma vez
Sorri para mim
E diz-me quem és.

Filipa Moreira da Cruz

Tristeza

Primeiro me acabou o riso, depois os sonhos, por fim, as palavras. É essa a ordem da tristeza.

Mia Couto

O riso veste a alma com as cores do arco-íris
Os sonhos dão-nos asas
Sem eles, apenas existimos
As palavras são a voz do que nos vai no coração
Mas então, temos o direito de estar tristes?
Claro! E lá, a razão sobrepõe-se à emoção
Às vezes a alma tem de ser limpa
Para isso servem as lágrimas
As asas podem quebrar
Os sonhos dissipam-se no ar
E quando ficamos mudos
Sem palavra para tudo?
O importante é que a tristeza
Não seja eterna
E que possamos ver no sol de Inverno
A alegria da Primavera.

Filipa Moreira da Cruz

Photo : Paul Laurent Bressin

Abençoada loucura

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Loucos são aqueles que ousam ser felizes
E pintam o dia com diferentes matizes
Fazem as pazes com o medo
A vida é um maravilhoso segredo
Prestes a ser desvendado
Esse tesouro tão bem aguardado
Cabe na mão, no peito
Embora de infinito seja feito
Loucos são aqueles que buscam a verdade
Em nome da tal liberdade
Perseguem sonhos
E falam baixinho com anjinhos
Acreditam em fadas
E partilham histórias inventadas
Guiam-nos por labirintos
Dispersos em vários recintos
Louca serei eu também
Por confiar de olhos fechados na minha mãe
Um amor ímpar e verdadeiro
Será sempre o primeiro
A nascer, a crescer, a voar
Libertando-se do céu e do mar
Uma estrela que brilha no firmamento
Solta, num total desprendimento.

Filipa Moreira da Cruz

Historias

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Que nunca se apague la esperanza
Que el camino sea más que añoranza
Que no se mueran las flores del jardín
Ni las historias o leyendas sin fin
Que nunca nos quiten las estrellas en el cielo
Ni el amor puro y bello
Que no nos fallen las mariposas
Que siempre tengamos cosas hermosas
Que no se acaben las risas ni las carcajadas
Que sigamos creyendo en duendes y hadas
Que no nos olvidemos de la ternura
Ni los momentos de dulzura
Que no nos quiten lo bailado
Ni el día más deseado
Que los inviernos sean cortos
Que cuiden de nuestros corazones rotos
Que las palabras sean sinceras
Que sean largas las primaveras
Que el pasado nos sirva de lección
Que el presente rime con acción
Que los amigos siempre estén
Que la familia no se ausente
Que la vida sea un largo respiro
Que la muerte no pase de un breve suspiro.

Filipa Moreira da Cruz

As voltas da vida

Photo : Paul Laurent Bressin

É cão, é gato, é pulga e comichão
É uma casa de loucos onde reina a confusão
É fora, é dentro, é sempre a andar
É amor, é alegria, é crescer e partilhar

Vida emocionante e repleta de aventuras
É a desta criança sempre a fazer travessuras

É calor, é sol, é praia e muitos gelados
É a chuva miudinha a deslizar no telhado
É um corropio, é o fim da picada
É o eterno romântico ao lado da sua amada

Vida apaixonante e cheia de aventuras
É a deste jovem que continua a fazer travessuras

É responsabilidade, é trabalho e dinheiro
É um lugar à sombra num mundo muito feio
É esforço, é suor, é escravidão e dedicação
É a falta de concentração para a meditação

Pseudo-vida carente de aventuras
É a deste homem que não tem tempo para fazer travessuras

É tristeza, é desespero, é recusa e solidão
É falta de gente que lhe encha o coração
É medo da doença com cheiro a morte
É deixar de viver, abandonando-se à sua sorte

Fim de vida triste e sem aventuras
É a deste homem que deixou, há muito, de fazer travessuras.

Filipa Moreira da Cruz