Escrever certo por linhas tortas

Photo : KaDDD

Por vezes sou mal interpretada
Lêem-me os pensamentos de forma errada
Não decifram em que me aplico
Nem identificam o que comunico
Mas isso pouco importa!
Até o Todo Poderoso escreve certo por linha torta
E eu não pretendo ser Deus (obviamente!)
Mas protejo os meus
Sempre!

Filipa Moreira da Cruz

23

Photo : Filipa Moreira da Cruz

1 mirada
2 besos
3 alitas de pollo
4 abrazos
5 de la tarde
6 tazas de té
7 olas del mar
8 fotos antiguas
9 ancianos charlando
10 dedos de la mano
11 de la noche
12 campanadas
13 que no sea un martes
14 amigos
15 calamares fritos
16 cucharadas
17 kilómetros
18 sueños infinitos
19 duendes
20 lágrimas
21 niños jugando
22 chistes
23 ¿otra vez?

Filipa Moreira da Cruz

Paris, mon amour

Reprise

Cidade luz, capital do amor e do sublime
Nem sei por onde começar porque não quero que termine
Foste casa, brindaste-me com amigos
Ah e viste nascer os meus filhos!
Sempre que penso em ti fico desamparada
Este namoro dura há anos e eu sem ti sou quase nada.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

13/12/1977 – 44 anos de vida

Nascimento
Crescimento
Resiliência
Persistência
União
Devoção
Viagem
Aprendizagem
Poesia
Fantasia
Liberdade
Saudade
Alguma dor
Muita cor
Interacção
Recordação
Aventura
Ternura
Mudança
Lembrança
Contacto
Sem olfacto
Esperança
Confiança
Alegria
Família
Desilusão
Resolução
Amizade
Suavidade
Sofrimento
Breve momento
Sensibilidade
Verdade
Amor
Humor
Emoção
Gratidão
Visão
Sem precisão
Festa
(In)discreta
Vida
Preenchida.

Filipa Moreira da Cruz

Casa

Lugar de aconchego
De festa e de desassossego
Lar doce lar
Onde podemos ser e estar
De pedra ou de madeira
Por uns dias ou para a vida inteira
Para dois, três, quatro, cinco ou seis
Para pobres que se sentem como reis
Ou ricos que mais parecem mendigos
De tão mal agradecidos
Azul, verde, ou branca
Aquecida pelo sol ou pela chama
De uma lareira onde nos sentamos a ler
E a contar histórias até escurecer
Guarda memórias e segredos
Abriga ilusões e medos
Oferece paz e serenidade
Seja ela no campo ou na cidade
Serve para acolher familiares e amigos
Os mais recentes e os antigos.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Lo que me hace feliz

Caminar descalza
Abrazar un árbol
Comer cerezas y fresas
No hacer nada
Escuchar el silencio
Poner música a tocar
Reírme a carcajadas
Sin ningún motivo
Tumbarme al sol
Achuchar a mis hijos
Leer un buen libro
Nadar en el mar helado
Pasear en el bosque
Estar con mi familia
Soñar con los ojos abiertos
Mirar la misma película una y otra vez
Escribir cuando todos duermen
Hablar con mis amigos
Seguir acreditando
Que lo mejor aún está por llegar.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

23

Photo : Filipa Moreira da Cruz

1 mirada
2 besos
3 alitas de pollo
4 abrazos
5 de la tarde
6 tazas de té
7 olas del mar
8 fotos antiguas
9 ancianos charlando
10 dedos de la mano
11 de la noche
12 campanadas
13 que no sea un martes
14 amigos
15 calamares fritos
16 cucharadas
17 kilómetros
18 sueños infinitos
19 duendes
20 lágrimas
21 niños jugando
22 chistes
23 ¿otra vez?

Filipa Moreira da Cruz

Escrever certo por linhas tortas

Photo : KaDDD

Por vezes sou mal interpretada
Lêem-me os pensamentos de forma errada
Não decifram em que me aplico
Nem identificam o que comunico
Mas isso pouco importa!
Até o Todo Poderoso escreve certo por linha torta
E eu não pretendo ser Deus (obviamente!)
Mas protejo os meus
Sempre!

Filipa Moreira da Cruz

Nostalgia

¡Echo de menos a España!
A su gente, a mis amigos, a los paysajes
Al que fue y siempre será mi hogar
A la tierra que vio nacer a mis antepasados
Quizás conozca España mejor que mí pais
Ya vivi en Tenerife, San Sebastian y Fuerteventura
Recorrí sierras, playas, montañas, mesetas y ciudades
Volveré. ¡Hasta pronto España!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Diz-me quem és…

Photo : KaDDD

Lá em casa sempre se conversou muito. Das coisas importantes, mas também das supérfluas. Dos medos, das injustiças, dos tabus. Das conquistas, dos sonhos, das derrotas. Tantas madrugadas passadas a rir e a chorar! Também se liam muitos livros e contavam-se muitas histórias. A noite é propícia a confidências e ajuda a desfazer alguns nós atados ao longo do dia.

Vários amigos estrangeiros (com exceção dos espanhóis) não entendem esta necessidade de falar e julgam que os portugueses têm resposta para tudo. Talvez tenham razão. Será o resultado de tantas gerações privadas da liberdade de expressão? A nossa democracia é recente. Ficamos sem voz durante tanto tempo que, assim que nos foi permitido opinar caímos na tentação de manter a língua solta. Mesmo quando o melhor é ficar calado.

Esta esquizofrenia bipolar parece estar no nosso ADN. Somos os mais críticos e exigentes connosco próprios. No entanto, não admitimos que gente alheia nos chame à razão. Afinal, quem pensam que são? Às vezes rebaixamo-nos, carecemos de auto-estima e evitamos celebrar as nossas vitórias. Isto dentro do nosso país, claro!

Quando viramos costas à nossa terra passamos a ser os melhores em tudo. Milagre português! Talvez seja uma questão de necessidade. Ou de perspetiva. Os nossos vizinhos espanhóis (para dar um exemplo), gabam-se até do que não têm, enquanto os portugueses dificilmente reconhecem os seus feitos. A realidade tem vindo a mudar, lentamente. Ao ritmo lusitano.

Num país com pouco mais de dez milhões de habitantes proliferam os « pseudo ». De repente, todos são médicos, políticos, advogados, professores, jornalistas, treinadores de futebol. É tão fácil criticar tudo e todos frente ao ecrã de televisão, de telemóvel na mão ou a martelar o teclado do computador. Não há nada melhor que dar palpites, sobretudo quando se desconhece o contexto.

Preencher um quadro inteiro com tinta azul é tão simples, não é? Mas por que razão foi Klein o único a ter a ideia? Que prazer sentem aqueles que se escondem por detrás de amor355 ou kubik07 quando ofendem, denigrem, magoam. E isto com erros ortográficos e palavrões à mistura. Há palavras que quase matam. Felizmente, são poucas. A maioria não fere ouvidos contra todos os riscos.

Se cada um seguisse a sua vidinha sem fazer barulho o mundo deixaria de ter graça. Gostamos do espalhafato, do drama e do exagero. Seguimos de perto esta telenovela em direto, cujos atores são os mesmos do costume, mas que quase ninguém perde tempo em conhecer. As emoções estão ao rubro quando se desvenda um segredo.

O salário de um apresentador de um programa de entretenimento é mais importante que uma nova restrição do governo. Porque sim. E pouco importa se o ordenado mínimo continuar a ser escandalosamente baixo, se a gasolina não parar de aumentar, se a corrupção atingir níveis preocupantes e se os bancos continuaram a roubar com a ajuda dos que mandam no país. Tudo isso é secundário num país que vive de sol e de água fresca.

Ainda assim nem tudo é mau. Não somos só fado, futebol e Fátima. Somos um pequeno país, mas uma grande Nação! E que ninguém nos convença do contrário!

Filipa Moreira da Cruz