Casa

Quem constrói a casa não é quem a ergueu mas quem nela mora.

Mia Couto

Uma casa morre, se não é habitada com amor.

Mia Couto

A janela: não é onde a casa sonha ser mundo?

Mia Couto

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Dona da casa

Reprise

Photo : KaDDD

Porta que abre
Porta que fecha
Porta que encobre
O que ninguém quer que se veja

Porta azul, branca, alaranjada
Porta em bom estado, porta escaqueirada
Porta perfeita, sem brestas
Porta de casa que dá muitas festas

Porta de prédio ou de moradia
Porta vagabunda e vadia
Porta elegante e sofisticada
Porta velha e desajeitada

Porta que sabe de onde vem
Porta que pretende o que não tem
Porta caprichosa e matreira
Porta doente ou curandeira

Porta mãe, irmã, filha, avó
Porta que me abriga quando estou só
Porta que ouve insultos
Choros, gritos e sussurros

Porta que, de repente
Virou gente!

Filipa Moreira da Cruz

Casa de papel

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Casa de mármore, de cimento, de cartão
Casa de madeira, de pedra, de vidro
Casa de palha, de tecido, de papelão
Casa de tijolo, de ferrugem, sem brilho

Casa debaixo da terra, no cimo da árvore
Casa no sexto andar ou no rés-do-chão
Casa grande, com jardim e piscina
Casa pequenina que cabe na mão

Casa com peixe encarnado
Casa com gato, hamster e cão
Casa com periquito venerado
Casa com coelho e pavão

Casa sem janelas nem portas
Casa com braços, asas e rodas
Casa fresquinha a cheirar a Verão
Casa com flores no balcão

Casa de todos e de ninguém
Casa que virou aconchego quando mais nada se tem.

Filipa Moreira da Cruz

Asas e visões

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
– Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira
Photo : Filipa Moreira da Cruz

Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados…

Florbela Espanca

Casa

Lugar de aconchego
De festa e de desassossego
Lar doce lar
Onde podemos ser e estar
De pedra ou de madeira
Por uns dias ou para a vida inteira
Para dois, três, quatro, cinco ou seis
Para pobres que se sentem como reis
Ou ricos que mais parecem mendigos
De tão mal agradecidos
Azul, verde, ou branca
Aquecida pelo sol ou pela chama
De uma lareira onde nos sentamos a ler
E a contar histórias até escurecer
Guarda memórias e segredos
Abriga ilusões e medos
Oferece paz e serenidade
Seja ela no campo ou na cidade
Serve para acolher familiares e amigos
Os mais recentes e os antigos.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Portas e janelas

Sou apaixonada por portas e janelas
Grandes, pequenas, de ferro ou de madeira
Para mim, todas são belas
Nunca me sinto sem eira nem beira
Porque quando uma se fecha
Outra estende-me os braços
Uma porta trancada não se rejeita
E eu recebo-a num grande abraço
Janela velha e escaqueirada
Enterrada viva sem dó nem piedade
Sofre em silêncio a desgraçada
Portas de casas e prédios na cidade
Donas e senhoras de conventos e castelos
Trancam segredos a sete chaves
Mesmo os mais singelos e belos
Janelas que acolhem pássaros e flores
E cortinas testemunhas de desamores.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Uma casa como a minha

Casa é calma e aconchego?
Nem sempre
Há casas que são desasossego
E distraem a mente
Lar doce lar?
Algumas
Noutras é um inferno lá morar
Duvidas?
Queres entrar?
Bonita e sofisticada por fora
Quando entras, sonhas em ir-te embora
Os que lá moram choram em silêncio
Da violência fazem um convênio
Prefiro a minha casinha
Simples e pequenina
Em cada canto, respira-se magia
E todos os dias são uma alegria.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Virados do avesso

Photo : KaDDD

É cão, é gato
É periquito, é peixe encarnado
É gritaria, casa desarrumada
Ficamos de pijama. Festa assegurada!
É roupa amarfanhada, loiça por guardar
De manhã, não há escolha, temos que trabalhar
Estudar em casa é o que está a dar!
Escola fechada, parque vazio
Todos os dias são iguais, mas sem frio
Saudades dos avós, triste realidade
Eles sim gostam de nós de verdade!
Quando isto passar, vou dar beijinhos
Abraços e as mãos apertar
Mas até lá, tenhamos calma
Melhores dias estão por chegar.

Filipa Moreira da Cruz

Dona da casa

Photo : KaDDD

Porta que abre
Porta que fecha
Porta que encobre
O que ninguém quer que se veja

Porta azul, branca, alaranjada
Porta em bom estado, porta escaqueirada
Porta perfeita, sem brestas
Porta de casa que dá muitas festas

Porta de prédio ou de moradia
Porta vagabunda e vadia
Porta elegante e sofisticada
Porta velha e desajeitada

Porta que sabe de onde vem
Porta que pretende o que não tem
Porta caprichosa e matreira
Porta doente ou curandeira

Porta mãe, irmã, filha, avó
Porta que me abriga quando estou só
Porta que ouve insultos
Choros, gritos e sussurros

Porta que, de repente
Virou gente!

Filipa Moreira da Cruz

Casa de papel

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Casa de mármore, de cimento, de cartão.
Casa de madeira, de pedra, de vidro.
Casa de palha, de tecido, de papelão.
Casa de tijolo, de ferrugem, sem brilho.

Casa debaixo da terra, no cimo da árvore.
Casa no sexto andar ou no rés-do-chão.
Casa grande, com jardim e piscina.
Casa pequenina que cabe na mão.

Casa com peixe encarnado,
Casa com gato, hamster e cão.
Casa com periquito venerado,
Casa com coelho e pavão.

Casa sem janelas nem portas.
Casa com braços, asas e rodas.
Casa fresquinha a cheirar a Verão.
Casa com flores no balcão.

Casa de todos e de ninguém.
Casa que virou aconchego quando mais nada se tem.

Filipa Moreira da Cruz