Dia de los Muertos

El muerto al pozo y el vivo al gozo.

Proverbio Mexicano

La muerte no llega con la vejez, sino con el olvido.

Gabriel García Marquez

Si nada nos salva de la muerte, que al menos el amor nos salve de la vida.

Pablo Neruda

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Algo hay tan evidente como la muerte y es la vida.

Charles Chaplin

Después de todo la muerte es sólo un síntoma de que hubo vida.

Mario Benedetti

 La muerte no es lo opuesto a la vida, sino una parte de ella.

Haruki Murakami

Morir no es nada. Lo terrible es no vivir.

Victor Hugo
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Sonhos violeta

Sonhos violeta
Asas de borboleta
Balões de todas as cores
Sobrevoam através dos estores
Risos, gargalhadas
A melhor arma contra fantochadas
Passo a passo
Sem medo do fracasso
Cada minuto é uma vitória
Escreve a tua própria história
A vida é uma festa!
Vai uma aposta?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Dia da Criança

Photo : Arquivo pessoal

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos– Heterónimo de Fernando Pessoa

Photo : Arquivo pessoal

A Criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro – Heterónimo de Fernando Pessoa

Ser Criança

Quero ser outra vez criança!
Rebolar na relva e esfarrapar as calças
Comer diretamente do pote e besuntar a boca
Acreditar nas fadas e nos duendes
Ter um amigo especial, invisível e mágico
Para proteger-me dos monstros que me atormentam

Quero ser outra vez criança!
Fazer trinta por uma linha e pintar a manta toda
Desenhar um arco-íris do tamanho do mundo
Abraçar o céu, o sol, o mar e as nuvens
Correr, saltar, rir e brincar
Jogar ao faz-de-conta muito a sério

Quero ser outra vez criança!
Sonhar com os olhos bem abertos
Desfrutar da escola. Hoje e sempre!
Aprender, crescer, renascer, viver
Inventar, criar, imaginar, partilhar
Sem medo, sem preconceitos, sem tabus

Deixem-me ser criança…só mais uma vez!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Mãe

Reprise

Mãe solteira, mãe casada
Mãe viúva ou divorciada

Mãe leoa, mãe galinha
Mãe corajosa como a minha

Mãe alheia, mãe ausente
Mãe amiga, sempre presente

Mãe cansada, mãe distante
Mãe frustrada e hesitante

Mãe espancada, abandonada
Mãe forte e recuperada

Mãe adúltera e egoísta
Mãe enganada, mas pacifista

Mãe flor, mãe fruto, mãe oceano
Mãe sem pudor que deixa a nódoa cair no pano

Mãe afetos, amor e coração
Mãe calculista e só razão

Mãe jovem, quase irmã
Mãe madura, mas tão sã

Mãe diplomada e estudiosa
Mãe dona da casa e laboriosa

Cada mãe é única e especial
Devendo sentir-se cada dia como tal.

Dedico este poema a todas as mães e, em especial, à minha. Ficou órfã aos 15 anos, passou por quatro cesarianas com anestesia geral (e quase perdeu a vida numa delas), venceu dois cancros e uma Covid severa. Está a tratar-se de um cancro que já se instalou no fígado e nos pulmões.
Quatro filhos em quatro países. Longe da vista, mas sempre perto do coração. Fonte inesgotável de amor, serenidade, otimismo, paz, reconforto e compreensão. O meu porto-seguro. A minha mãe.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Celebrar o amor é celebrar a vida

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

A 14 de fevereiro celebra-se o São Valentim em quase todo o mundo. Existem, pelo menos, três versões em volta desta festa. Partilho a que se dedica à história do padre de Terni que viveu no século III e opôs-se às ordens de Cláudio II.

Segundo a lenda, o imperador decidiu proibir todas as uniões porque acreditava que os homens solteiros combatiam melhor e, na altura, a guerra era a prioridade. Valentim fez orelhas moucas e continuou a celebrar casamentos entre cristãos. Cláudio II ordenou que o encerrassem numa prisão. Foi aí que Valentim conheceu Júlia, a filha do carcereiro, que era cega desde nascença. Ele descrevia-lhe o mundo e ela trazia-lhe comida e água todas as noites. Apaixonaram-se e, certo dia, o milagre aconteceu: Júlia recuperou a visão. Assim que Cláudio II soube deste acontecimento ordenou que Valentim fosse executado e o dia escolhido não foi um azar. 14 de fevereiro coincidia com a celebração das festas Lupercais que celebravam a fertilidade e a procriação.

Séculos mais tarde, a lenda é alimentada através de cartas e postais enviados entre os namorados. Diz-se que a amendoeira que se encontra ao lado do túmulo de Valentim foi plantada por Júlia e esta árvore, ainda hoje, está associada ao amor. O resto é história porque ninguém cá está para contar o que realmente aconteceu. Mas eu gosto muito de lendas. Elas personificam a natureza, enaltecem seres humanos banais e ajudam-nos a compreender o nosso passado. E os milagres fazem-nos acreditar que tudo é possível. A esperança é alimentada pela própria vida.

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Eu tenho duas razões para celebrar o dia de São Valentim. Quis o destino que eu conhecesse o meu marido num 14 de fevereiro, há quase 20 anos. Aconteceu em Méribel, nos Alpes Franceses, num dia frio, de céu azul e coberto por um espesso manto branco. Não gosto do inverno e a neve não me seduz, mas nesse dia, nem a temperatura negativa impediu o coup de foudre. Não consegui controlar as borboletas que faziam cócegas na barriga. Eu que nunca acreditei no amor à primeira vista! Primeiro milagre.

O segundo ocorreu quando o meu filho nasceu. Foi a 14 de fevereiro que o vi pela primeira vez, após ter passado vários dias nos serviços de reanimação e de pneumologia num hospital do centro de Paris. Recordo-me da emoção ao ver esse bebé prematuro ligado a várias máquinas. Tão pequenino e frágil. Na véspera do regresso à maternidade o meu quarto foi invadido por uma dezena de médicos. O professor declarou aos alunos: « há certas coisas que a medicina não consegue explicar ». Porque a ciência não é compatível com milagres, pensei eu. O pediatra, que reanimou o meu filho, limitou-se a dizer, com os olhos húmidos, « este bebé vem de longe ». O parto correu mal, mas a nossa história teve um final feliz.

Na minha família fomos vários os que tivemos a Covid-19. Uns sofreram mais do que outros, mas esses episódios menos agradáveis já fazem parte do passado. Quantos não tiveram a mesma sorte? Quantos perderam familiares e amigos em 2020 e 2021? Quantos passam por este mundo sem saber o que é o amor verdadeiro? Esse que dinheiro nenhum pode comprar? Quantas mulheres, no século XXI, não sobrevivem ao parto? Quantos bebés prematuros não resistem ao primeiro suspiro?

Tenho várias razões para celebrar a vida. E 14 de fevereiro é uma boa data para fazê-lo. Celebro a vida, o amor e os reencontros. Só existe uma certeza absoluta, a de que, um dia todos vamos morrer. Ninguém escapa à morte. Resta-nos festejar a nossa passagem pelo planeta Terra da melhor maneira possível. Porque viver é o mais belo dos milagres!

Filipa Moreira da Cruz

Natal em Portugal

Viagem
Avião
Porto
Adoração
Comboio
Estação
Lisboa
(Do meu) coração
Família
União
Reencontro
Emoção
Crianças
Confusão
Alegria
Diversão
Luzes
Decoração
Reconforto
Reunião
Natal
Celebração.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz (Saint-Malo)


13/12/1977 – 44 anos de vida

Nascimento
Crescimento
Resiliência
Persistência
União
Devoção
Viagem
Aprendizagem
Poesia
Fantasia
Liberdade
Saudade
Alguma dor
Muita cor
Interacção
Recordação
Aventura
Ternura
Mudança
Lembrança
Contacto
Sem olfacto
Esperança
Confiança
Alegria
Família
Desilusão
Resolução
Amizade
Suavidade
Sofrimento
Breve momento
Sensibilidade
Verdade
Amor
Humor
Emoção
Gratidão
Visão
Sem precisão
Festa
(In)discreta
Vida
Preenchida.

Filipa Moreira da Cruz

Ser Criança

Quero ser outra vez criança!
Rebolar na relva e esfarrapar as calças
Comer diretamente do pote e besuntar a boca
Acreditar nas fadas e nos duendes
Ter um amigo especial, invisível e mágico
Para proteger-me dos monstros que me atormentam

Quero ser outra vez criança!
Fazer trinta por uma linha e pintar a manta toda
Desenhar um arco-íris do tamanho do mundo
Abraçar o céu, o sol, o mar e as nuvens
Correr, saltar, rir e brincar
Jogar ao faz-de-conta muito a sério

Quero ser outra vez criança!
Sonhar com os olhos bem abertos
Desfrutar da escola. Hoje e sempre!
Aprender, crescer, renascer, viver
Inventar, criar, imaginar, partilhar
Sem medo, sem preconceitos, sem tabus

Deixem-me ser criança…só mais uma vez!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Dia da Criança

Photo : Arquivo pessoal

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa

Photo : Arquivo pessoal

A Criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro – Heterónimo de Fernando Pessoa

Há mais de um ano que as nossas vidas ficaram viradas do avesso e o mundo de antes faz parte de um passado que parece longínquo e irrecuperável. As crianças foram das mais prejudicadas porque, de um dia para o outro, ficaram privadas de afetos, escola, contacto físico, brincadeiras e, acima de tudo, de uma vida despreocupada e alegre.

Não são as viagens à lua nem as visitas a Marte que nos permitirão seguir em frente. A nossa Terra é única e insubstituível e nem Elon Musk conseguirá convencer-nos do contrário. Não existe um planeta B. Devemos refletir rapidamente acerca do que queremos deixar às próximas gerações porque o tempo é nosso inimigo.

Filipa Moreira da Cruz