A porta do paraíso

Reprise

A vida é feita de escolhas
E nossas cúmplices são as folhas
Onde escrevemos a nossa história
Cada dia na Terra é uma vitória
Segue o teu caminho que eu seguirei o meu
Protegida pela natureza e o azul do céu
Quero viver em paz com a minha consciência
Ou numa constante penitência?
Prefiro a empatia e a modéstia
Ou vendo-me ao luxo e à abundância?
Abro a porta de uma prisão
Ou a janela do meu coração?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Felicidade

Reprise

Vou contar-te um segredo
Os homens dão a volta ao mundo
Em busca de fama e de poder
E num segundo o ter aniquila o ser
A humanidade enfia uma máscara agridoce
Uns dias sai o sol e noutros chove
De repente, o universo torna-se pequeno
A loucura engole o sereno
A alienação espezinha a razão
Colecionam-se coisas e não recordações
Brisam-se corpos e corações
E esses seres insignificantes
Esquecem-se que a vida são meros instantes
A morte, essa sim, é uma certeza
E a lenda reza
Que ninguém cá ficará
Para contar como acabará
Então, não será melhor começar a viver?
Olha ao teu redor
A felicidade tem cheiro e cor!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Êxtase da vida

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Todos os dias acordo
Deambulando nos meus sonhos
Que partilho com o meu amigo
Arrebatador, secreto, fiel

O espírito empurra-me
Por entre as labaredas do passado
Que me perseguem e arrastam
Para essa constante saudade

As trevas da escuridão
As estrelas da noite clara
São confidentes nas horas divididas
Entre o cansaço e a insónia

Tantas vezes hesitei
Lamentei lágrimas
Escondi frustrações
Desafiei monstros

O coração é o único contentamento
O músculo que me mantém viva
Por fora sou ligeireza
Por dentro sou discernimento.

Filipa Moreira da Cruz

Porta

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Porta trancada
Toda escaqueirada
Porta fechada a sete chaves
Escrava de caprichos e necessidades
Porta usada, velhinha
Pequena e castanhinha
Porta com cadeado
Grande e codificado
Porta que apenas conhece sonhos
Os meus, os teus, os nossos
Porta que foge da realidade
E esconde a verdade
Porta redonda, quadrada
Que me acolhe quando estou cansada
Porta que rebenta, explode
Que apenas aguenta o que pode
Porta que ouve desaforos e gritaria
Que sofre com a minha correria
Porta da casa, do prédio, da mansão
A mais especial é a do meu coração.

Filipa Moreira da Cruz

Dúvidas

É difícil ter certezas quando se fala das razões do coração.

Antonio Tabucchi
Photo : Filipa Moreira da Cruz

Será que vai correr tudo bem?
Ficaremos juntos, outra vez
É importante dar valor ao que se tem
Proeza que não é para todos
E exige um grande esforço de desapego
Será que celebraremos o amor?
Com abraços, beijos e aconchego
Será que devemos lutar pelas nossas crenças?
Juntos, somos mais fortes
Sem rancor nem desavenças
Será que vamos sarar as feridas do coração?
Tentar, não custa
Basta dar asas à fantasia
E abandonar, por um momento, a razão
Será que estaremos aqui amanhã?
Isso, ninguém sabe
Aproveitemos cada instante
Sem medo de despertar de manhã.

Filipa Moreira da Cruz

Quando a Primavera chegar

É difícil ter certezas quando se fala das razões do coração.

Antonio Tabucchi
Photo : Paul Laurent Bressin

Quando a Primavera chegar
Eu sei que vou aqui estar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que vou ser capaz de perdoar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que estarei pronta para amar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que vou querer desfrutar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que vou acreditar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que vou mudar
Quando a Primavera chegar
Eu sei que dos outros vou cuidar
Se a Primavera não chegar
Talvez eu queira migrar.

Filipa Moreira da Cruz

Vermelhão

Reprise

Vermelho de raiva ou de vergonha
De amor ou de paixão
Vermelho esquivo e incerto
Que desafia o coração
Vermelho solto e livre
De correrias e contratempos
Vermelho ousado e provocador
Que entra na dança sem ser convidado
Vermelho de mágoa e de rancor
Libertino e ousado
Vermelho vivo quando estás zangado
Pintado a tinta ou a lápis
Vermelho que à vida dá cor
E combate a solidão
Vermelho de sangue e de fogo
Derramado em guerras antigas
Vermelho de lágrimas e de choro
Na hora das despedidas
Vermelho, vermelhinho, vermelhão.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Canção de embalar

Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho.

Sophia de Mello Breyner

Canção rente ao nada
No silêncio quieto
Da noite parada
Como quem buscasse
Seu rosto e o errasse.

Sophia de Mello Breyner

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Saltar a cerca

Menina roliça e bonita
Apressada e catita
Que passa pela minha rua
Sou meu, és tua
Espedita e risonha
Sou teu, és minha
Ai um dia, vou ter coragem
E deixarás de ser apenas uma miragem
Vou contar-te o que guardo no coração
Através de um poema ou de uma canção
Juntos daremos a volta ao mundo
A vida muda num segundo.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Vermelhão

Vermelho de raiva ou de vergonha
De amor ou de paixão
Vermelho esquivo e incerto
Que desafia o coração
Vermelho solto e livre
De correrias e contratempos
Vermelho ousado e provocador
Que entra na dança sem ser convidado
Vermelho de mágoa e de rancor
Libertino e ousado
Vermelho vivo quando estás zangado
Pintado a tinta ou a lápis
Vermelho que à vida dá cor
E combate a solidão
Vermelho de sangue e de fogo
Derramado em guerras antigas
Vermelho de lágrimas e de choro
Na hora das despedidas
Vermelho, vermelhinho, vermelhão.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz