Sentir a vida

Tem cor a tristeza?
Tem cheiro a solidão?
Tem sabor a beleza?
Tem melodia a gratidão?
Tem princípio a mudança?
Tem fim a saudade?
Tem sentido a vingança?
Tem mérito a realidade?
Tem saída o labirinto?
Tem janela o coração?
Tem importância o que sinto?
Tem brisa o dia de Verão?
Tem alma a dor?
Tem asas a vitória?
Tem corpo o pudor?
Tem lógica esta história?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

As voltas da vida

Photo : Paul Laurent Bressin

É cão, é gato, é pulga e comichão
É uma casa de loucos onde reina a confusão
É fora, é dentro, é sempre a andar
É amor, é alegria, é crescer e partilhar

Vida emocionante e repleta de aventuras
É a desta criança sempre a fazer travessuras

É calor, é sol, é praia e muitos gelados
É a chuva miudinha a deslizar no telhado
É um corropio, é o fim da picada
É o eterno romântico ao lado da sua amada

Vida apaixonante e cheia de aventuras
É a deste jovem que continua a fazer travessuras

É responsabilidade, é trabalho e dinheiro
É um lugar à sombra num mundo muito feio
É esforço, é suor, é escravidão e dedicação
É a falta de concentração para a meditação

Pseudo-vida carente de aventuras
É a deste homem que não tem tempo para fazer travessuras

É tristeza, é desespero, é recusa e solidão
É falta de gente que lhe encha o coração
É medo da doença com cheiro a morte
É deixar de viver, abandonando-se à sua sorte

Fim de vida triste e sem aventuras
É a deste homem que deixou, há muito, de fazer travessuras.

Filipa Moreira da Cruz



Dor

Reprise

Photo : KaDDD

De repente, cai a máscara!
Eu já não sou eu… E ainda bem!
Esqueço os medicamentos e as dores,
Atraso o relógio porque ainda não é hora.

Dissimulo a angústia quotidiana,
Retardo os efeitos secundários,
Saboreio cada instante – porque sei
Que este momento pode ser o último.

Volto a ser criança e sou livre!
Para correr, saltar, dançar.
Fazer trinta por uma linha,
Pintar a manta de várias cores.

Ai se eu soubesse parar o tempo!
Para agarrar o que mais amo.
Desfazer-me de ninharias e futilidades
E chorar muito até limpar a alma.

Que sorte tenho de (ainda) estar viva,
De deslizar ao sabor do vento.
Sem pressa, sem medo, sem desespero,
Sou de novo eu! E ainda bem!

Filipa Moreira da Cruz

Sentir a vida

Tem cor a tristeza?
Tem cheiro a solidão?
Tem sabor a beleza?
Tem melodia a gratidão?
Tem princípio a mudança?
Tem fim a saudade?
Tem sentido a vingança?
Tem mérito a realidade?
Tem saída o labirinto?
Tem janela o coração?
Tem importância o que sinto?
Tem brisa o dia de Verão?
Tem alma a dor?
Tem asas a vitória?
Tem corpo o pudor?
Tem lógica esta história?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

As voltas da vida

Photo : Paul Laurent Bressin

É cão, é gato, é pulga e comichão
É uma casa de loucos onde reina a confusão
É fora, é dentro, é sempre a andar
É amor, é alegria, é crescer e partilhar

Vida emocionante e repleta de aventuras
É a desta criança sempre a fazer travessuras

É calor, é sol, é praia e muitos gelados
É a chuva miudinha a deslizar no telhado
É um corropio, é o fim da picada
É o eterno romântico ao lado da sua amada

Vida apaixonante e cheia de aventuras
É a deste jovem que continua a fazer travessuras

É responsabilidade, é trabalho e dinheiro
É um lugar à sombra num mundo muito feio
É esforço, é suor, é escravidão e dedicação
É a falta de concentração para a meditação

Pseudo-vida carente de aventuras
É a deste homem que não tem tempo para fazer travessuras

É tristeza, é desespero, é recusa e solidão
É falta de gente que lhe encha o coração
É medo da doença com cheiro a morte
É deixar de viver, abandonando-se à sua sorte

Fim de vida triste e sem aventuras
É a deste homem que deixou, há muito, de fazer travessuras.

Filipa Moreira da Cruz



Dor

Photo : KaDDD

De repente, cai a máscara!
Eu já não sou eu… E ainda bem!
Esqueço os medicamentos e as dores,
Atraso o relógio porque ainda não é hora.

Dissimulo a angústia quotidiana,
Retardo os efeitos secundários,
Saboreio cada instante – porque sei
Que este momento pode ser o último.

Volto a ser criança e sou livre!
Para correr, saltar, dançar.
Fazer trinta por uma linha,
Pintar a manta de várias cores.

Ai se eu soubesse parar o tempo!
Para agarrar o que mais amo.
Desfazer-me de ninharias e futilidades
E chorar muito até limpar a alma.

Que sorte tenho de (ainda) estar viva,
De deslizar ao sabor do vento.
Sem pressa, sem medo, sem desespero,
Sou de novo eu! E ainda bem!

Filipa Moreira da Cruz