Boa noite

Para ti que terminas agora o trabalho
Boa noite
Para ti que sofres de insónia
Boa noite
Para ti que tens saudades do Verão
Boa noite
Para ti que tens medo do escuro
Boa noite
Para ti que sonhas com a chuva a cair
Boa noite
Para ti que guardas a esperança
Boa noite
Para ti que gostas tanto de dormir
Boa noite
Para ti que sabes que vai correr tudo bem
Boa noite
Para ti que anseias pelo amanhã
Boa noite.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

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Quem és?

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Sou as águas do Atlântico
Sou a areia da Meia Praia
Sou azul, verde e branco
Sou o fado de Lisboa
Sou as contas de Viana
Sou vida boa!
Sou um dia de Outono no Douro
Sou a brisa do Guincho
Sou a paisagem do miradouro
Sou as saudades de Guimarães
Sou a humidade de Sintra
Sou feita de todas as mães
Sou o cante Alentejano
Sou a preguiça de Tavira
Sou choro e desengano
Sou a erva fresca dos Açores
Sou a serra do Gerês
Sou um jardim cheio de flores
Sou a cadeira vazia no meio da praça
Sou a pronúncia do Norte
Sou magia e graça
Sou o bolo da Madeira
Sinto-me em cacos
Mas estou inteira.

Filipa Moreira da cruz

Por um triz

Photo : Paul Laurent Bressin

Coração aos pedaços
Alma amachucada
Corpo mirrado
Grito silencioso
Choro desgarrado
Morte anunciada
Que chega tarde e a más horas
E a esperança?
Ainda existe
Seguiremos o caminho
Sempre
Foi por um triz!

Filipa Moreira da Cruz

Adeus

Vagueio sem contar as horas
Escondo-me dos últimos minutos
Oiço a melodia do silêncio
Afasto-me das vozes ao meu redor
Resisto ao derradeiro abraço
Nunca gostei de despedidas
Devolvo a minha alma ao mar
Esquivando-me da sétima onda
Fecho os olhos
E entrego-me ao sono
Eterno.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Alma

Photo : KaDDD

Ó alma desgarrada
Que andas por aí à solta
Tropeçando nos desvarios de tanta gente louca

Arranca-me deste corpo
Eu a ti já não pertenço
Quero sobrevoar o mundo
Para visitar o que já não conheço

Tristes aqueles que sabem tudo
E mais infelizes ainda os que não querem ver
O universo é infinito, mas o fim está tão perto…

No deserto, nas montanhas, nos rios
E por esse mar adentro
O ter já deixou o ser

Somos pequenos e insignificantes
E enchemos de nada coisa nenhuma
Ó alma desgarrada
Une-te a mim e sejamos uma!

Filipa Moreira da Cruz

Quimera

Portas entreabertas
Janelas fechadas
Sol escondido
Atrás dos prédios
Feios e cinzentos
Céu carregado
Gente que se acotovela
No metro
De regresso a casa
Ao fundo
Uma luz
Sigo-a
E imagino
Como será a vida
Do outro lado.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Alma vestida de branco

Reprise

A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.

Mário Quintana

Dispo todas as cores
Sou folhas e flores
Corpo sem antranhas
Apenas mares e montanhas
Não falo nem ouço
Faço o que posso
Deslizo entre o vento
Feito de dor e desalento
Vivo num devaneio
Neste mundo feio
Mas a alma pintada de branco
Nunca perde o seu encanto.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Juicy feelings

Reprise

Depois da tempestade vem a bonança
Sem a monotonia não haveria mudança
A chuva limpa o corpo e a alma
Trazendo resiliência e calma
Quando termina a dor chega a felicidade
Sem a mentira fica a verdade
Após a infância chega a velhice
Mas antes fazemos muitas tolices
Felizmente!
Sempre!


Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

07/10/2021

Reprise

Hoje não vou escrever nem ler.
Hoje não vou ligar o telefone.
Hoje não vou abrir o WordPress.
Hoje não vou trabalhar.
Hoje não vou passear.
Hoje não vou fazer esforços.
Hoje pode ser o início do resto da minha vida.
Ou talvez não.
Pouco importa!
Hoje estou ainda mais unida à pessoa que mais gosto.
Coincidência ou telepatia.
Longe da vista, mas muito perto do coração.
Sem sofrimento nem pieguices.
Por si. Por mim. Por nós.
Este hoje escrevi-o ontem.
Porque vir aqui já faz parte de mim.
Como uma droga.
Quase uma questão de (sobre)vivência.
Vai correr tudo bem.
Não pode ser de outra maneira.
Até amanhã!

P.S. Um ano depois, correu tudo bem!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Uma casa como a minha

Casa é calma e aconchego?
Nem sempre
Há casas que são desasossego
E distraem a mente
Lar doce lar?
Algumas
Noutras é um inferno lá morar
Duvidas?
Queres entrar?
Bonita e sofisticada por fora
Quando entras, sonhas em ir-te embora
Os que lá moram choram em silêncio
Da violência fazem um convénio
Prefiro a minha casinha
Simples e pequenina
Em cada canto, respira-se magia
E todos os dias são uma alegria.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin