Uma casa como a minha

Casa é calma e aconchego?
Nem sempre
Há casas que são desasossego
E distraem a mente
Lar doce lar?
Algumas
Noutras é um inferno lá morar
Duvidas?
Queres entrar?
Bonita e sofisticada por fora
Quando entras, sonhas em ir-te embora
Os que lá moram choram em silêncio
Da violência fazem um convénio
Prefiro a minha casinha
Simples e pequenina
Em cada canto, respira-se magia
E todos os dias são uma alegria.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin

Vida de cão

Reprise

Photo : KaDDD

Animal pequenino e tristonho
Descuidado, pulguento e abandonado
Os que passavam não lhe achavam graça
E tinham medo de apanhar carraça
Mas a Mathilde não pensava assim
E queria o cachorro para si

Sonhou em levá-lo consigo
Dar-lhe banho e um porto de abrigo
O que as crianças desejam acontece
É o poder da mente que obedece
O cachorro cresceu e virou cão
A menina emancipou-se, fez-se mulher

O amor entre ambos amadureceu
Passeios, brincadeiras, diversão
Os dias eram curtos para tudo fazer
Até que, um dia, a tragédia aconteceu!
O cão viu as chamas e saltou
E a Mathilde, ainda hoje, chora o amigo que perdeu.

Filipa Moreira da Cruz

Viajar

Reprise

Viajar! Perder países!

Fernando Pessoa
Photo : Filipa Moreira da Cruz

Viajar! Perder países!
Partir sem rumo
Sozinha ou acompanhada
Seguir o vento
E as ondas do mar
Chegar ao desconhecido
Sem hora marcada

Viajar! Perder países!
Dar um passo
Maior que as pernas
E arriscar
Tudo ou nada
Conhecer terras distantes
Outras gentes
E novas culturas
Sentir-se bem
Em qualquer lado

Viajar! Perder países!
Não ter sono nem fome
Ter a estrelas como companhia
Vestir um trapinho
E saborear
Todos os tipos de gastronomia
Aventura, emoção, alegria
Deixar atuar a magia

Viajar! Perder países!

Filipa Moreira da Cruz


Amor sem espinhos

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Não há bela sem senão
Não há alma sem coração
Não há rosa sem espinhos
Não há metas sem caminhos
Não há mar sem ondas
Não há praia sem conchas
Não há recompensa sem esforço
Não há festa sem alvoroço
Não há Outono sem chuva
Não há presença como a tua
Não há Verão sem calor
Não há paz sem amor
Não há queijo sem marmelada
Não há tudo sem nada
Não há doce sem abóbora
Não há dentro sem fora
Não há música sem instrumentos
Não há esperança sem sentimentos
Não há poetas sem tristeza
Não há terra sem beleza
Não há universo sem mundos alheios
Não há Humanidade sem devaneios.

Filipa Moreira da Cruz

Castelos na areia

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Fim de tarde na praia
Longo dia de Verão
O frio mantém-se à raia
Adoro esta estação!
O mar muda de cor
Seguindo caprichos misteriosos
Que não conhecem medo nem rancor
Sábios são os que abrem os olhos
A natureza obedece a leis
Que apenas ela conhece
E os humanos são reis
A quem ela finge que obedece
As crianças fazem castelos na areia
Coitados dos adultos que se esqueceram
Que a vida é feita de brincadeira.

Filipa Moreira da Cruz

Bichinho de conta

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Bichinho de conta
Conta, conta
E diz-me quem és

Bichinho de conta
Conta, conta
Uma e outra vez

Bichinho de conta
Conta, conta
Muito enroladinho

Bichinho de conta
Conta, conta
Na mão do menino

Bichinho de conta
Conta, conta
Só mais uma vez

Bichinho de conta
Conta, conta
E diz-me quem és.

Filipa Moreira da Cruz

Paradoxo

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Às vezes, julgo-me fútil
Outras, nem por isso
Por vezes, imagino-me imortal
Outras, apetece-me fechar os olhos
E partir… para bem longe
Algumas vezes, pretendo alcançar tudo
Outras, limito-me a agarrar
O que está aqui ao lado
Poucas vezes, penso em mim
Outras, não há espaço para ti
Raras vezes, resisto à tentação
Outras, impeço-te de ser feliz
Às vezes, penso que sou especial
Outras, apercebo-me que valho pouco
Por vezes, flutuo entre o ontem e o amanhã
Outras, aproveito apenas o presente
Algumas vezes, sonho em voz alta
Outras, abafo os meus desejos
Poucas vezes, peço ajuda
Outras, reclamo atenção
Raras vezes, gosto de mim
Quase sempre, mudo de opinião.

Filipa Moreira da Cruz

Basta uno sguardo

Photo : Paul Laurent Bressin

Eres un pájaro
Que sale volando por el mundo
Una mariposa
Que se cuela en mi piel dorada por el sol
Un ángel
Que me protege de todos los males
Una gaviota
Que rumba hasta al infinito
Un arcoiris
Que pinta el cielo de colores
Un mago
Que fabrica los más dulces sueños
Un niño
Que nunca se olvida de sonreír
Mi talismán
Que con una mirada
Me lo dices todo
Sin decirme nada.

Filipa Moreira da Cruz

Pintado de azul

Reprise

Azul intenso, profundo…efémero?
Néctar sublime e adúltero
Espelho grande, imenso, infinito
Que cabe no bolso para estar sempre comigo
Um mar de oportunidades
Um oceano de saudades
Um rio de emoções
Um riacho de sensações
Azul de Norte a Sul, de Este a Oeste
Percorreste o mundo, mas regressaste
Devolveste-me o que perdi
Trouxeste o que te implorei
Do meu universo és rei
E não quero viver sem ti.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz, KaDDD e Paul Laurent Bressin

Norte e Sul

Norte e sul
Este ou oeste
De cima para baixo
Sol e chuva
Vento e calor
Antípodas meteorológicos
Verão ou Inverno
Seca ou dilúvio
Caprichos da Natureza
Yin e yang
Esquerda e direita
Lados opostos
Praia ou campo
Montanha ou planície
Escolhas ocasionais
Estrada ou trilho
Avenida ou ruela
Caminhos cruzados
Riso ou choro
Tristeza ou alegria
Sentimentos conturbados
Princípio e fim
Vida e morte
Nascimento e despedida.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz / Paul Laurent Bressin