Dia da Criança

Photo : Arquivo pessoal

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos– Heterónimo de Fernando Pessoa

Photo : Arquivo pessoal

A Criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro – Heterónimo de Fernando Pessoa

Poema

Photo : KaDDD

Em prosa ou em verso
De estrofes soltas ou emparelhadas
Com rimas seguidas ou cruzadas
Um cheiro, uma paisagem, um olhar
Um quadro, um sorriso, uma melodia
Íntimo ou partilhado
Real ou fruto da nossa fantasia
Escrito, pintado, cantado, sentido
O que seria de nós
Sem um poema por dia?

Filipa Moreira da Cruz

Canção de embalar

Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho.

Sophia de Mello Breyner

Canção rente ao nada
No silêncio quieto
Da noite parada
Como quem buscasse
Seu rosto e o errasse.

Sophia de Mello Breyner

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Street art

Sábio é quem se contenta com o espectáculo do mundo.

Fernando Pessoa

De tudo o que nós fazemos de sincero e bem intencionado alguma coisa fica.

Florbela Espanca

Photos : Filipa Moreira da Cruz

La belleza de las cosas sencillas

Siempre he dicho que soy un hombre sencillo que escribe sencillamente.

Miguel Delibes

Saber llorar es la sabiduría de la sencillez.

Miguel de Unamuno

El hombre que ha empezado a vivir seriamente por dentro, empieza a vivir más sencillamente por fuera.

Ernest Hemingway

Mi felicidad consiste en que sé apreciar lo que tengo y no deseo lo que no tengo.

León Tolstói

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Dia da Criança

Photo : Arquivo pessoal

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa

Photo : Arquivo pessoal

A Criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Alberto Caeiro – Heterónimo de Fernando Pessoa

Há mais de um ano que as nossas vidas ficaram viradas do avesso e o mundo de antes faz parte de um passado que parece longínquo e irrecuperável. As crianças foram das mais prejudicadas porque, de um dia para o outro, ficaram privadas de afetos, escola, contacto físico, brincadeiras e, acima de tudo, de uma vida despreocupada e alegre.

Não são as viagens à lua nem as visitas a Marte que nos permitirão seguir em frente. A nossa Terra é única e insubstituível e nem Elon Musk conseguirá convencer-nos do contrário. Não existe um planeta B. Devemos refletir rapidamente acerca do que queremos deixar às próximas gerações porque o tempo é nosso inimigo.

Filipa Moreira da Cruz

Poema

Photo : KaDDD

Em prosa ou em verso
De estrofes soltas ou emparelhadas
Com rimas seguidas ou cruzadas.
Um cheiro, uma paisagem, um olhar
Um quadro, um sorriso, uma melodia.
Íntimo ou partilhado
Real ou fruto da nossa fantasia.
Escrito, pintado, cantado, sentido
O que seria de nós
Sem um poema por dia?

Filipa Moreira da Cruz

Bem devagar

Photo : KaDDD

Temos pressa de nascer,
De crescer e de ser gente grande.
Somos todos escravos
Dessa estúpida ansiedade
De desaprender sem antes errar.

De chegar bem alto
Sem nunca ter caído.
De ser o primeiro sem tropeçar.
De ir sempre mais longe
Sem sequer tentar.

Pressa de ter e de gastar,
De trabalhar e de espezinhar.
E de ganhar, sim de ganhar.
Pressa de viver.
Será?

E quando a morte chega
De mansinho e sem avisar
Já é tarde para darmo-nos conta
Que, afinal podíamos ter vivido,
Simplesmente bem devagar.

Filipa Moreira da Cruz