Para si mãe

Reprise

Photo : Margarida Moreira da Cruz

Querida mãe,
Enviou-me esta fotografia da terra que a acolheu
E eu recebo-a com o carinho que sempre me deu
Estes versos são insignificantes
Mas sabe que o amor, esse, é eterno e constante
Regado diariamente com alegria e resiliência
Alheio a futilidades e prepotência
O castelo vigia, do alto da colina
A cidade que é sua e quase minha
E a adorada calçada portuguesa
Tão nossa e cheia de beleza
Traz-me de volta a casa
Sou afortunada!
A água do Nabão corre sem pudor
Dizendo-nos « seja o que for »
As saudades, companheiras eternas
São dolorosas e, ao mesmo tempo, fraternas
Dão-me força e esperança
Vivamos o agora sem medo da mudança.

Filipa Moreira da Cruz

La vida es chula

Photo : Filipa Moreira da Cruz

¿Te cuento un chiste?
Nadie me resiste
¿Estás listo?
¡Prepárate para algo que nunca has visto!
¡Olvídate de todo lo demás!
¿Quieres otro más?
¿Para unas buenas carcajadas?
¡Ya sabes como me gustan las bromas!
La vida es casi nada y todo al mismo tiempo
Y la gente se olvida que lo malo y lo bueno lo lleva el viento.

Filipa Moreira da Cruz



Cheira a vida!

Reprise

A que cheira o mar?
A que cheira a fruta do pomar?
A que cheira a terra molhada?
A que cheira a rosa mais perfumada?
A que cheira o bosque?
A que cheira o gelado comprado no quiosque?
A que cheira o fogo das chamas?
A que cheira o bebé que tanto amas?
A que cheira o carvão?
A que cheira o sangue que escorre pela mão?
A que cheira o ontem, o hoje e o amanhã?
Se eu soubesse, não perguntaria
E mesmo que tentasse adivinhar, não conseguiria.

P.S. Devido a um traumatismo cerebral perdi o olfato (e 90% da visão do olho direito) quando era bebé.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Nostalgia do futuro

Photo : KaDDD

Ai se eu soubesse
Ser sol e lua
Céu e mar
Ai se eu soubesse
Fazer tudo sem pressa
Bem devagar
Ai se eu soubesse
Apagar as chamas do mundo
Com garra e genica
Ai se eu soubesse
Transformar o planeta azul num segundo
No doce lar que nos abriga
Ai se eu soubesse
Lidar com as saudades
Sem dor nem tristeza
Ai se eu soubesse
Dar a volta às dificuldades
Com harmonia e ligeireza
Ai se eu soubesse
O que aí vem
Num abrir e fechar de olhos
Ai se eu soubesse
Apreciar tudo o que me oferece
A Terra-Mãe
Ai se eu soubesse
Evitar a conversa fiada
Para dedicar-me à minha prece.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

No te vayas

Reprise

Photo : Paul Laurent Bressin

¡Quedate!
Hasta la puesta del sol
¡Quedate!
Hasta que no termine la música
¡Quedate!
Hasta el último baile
¡Quedate!
Hasta que salga la luna
¡Quedate!
Hasta que las estrellas brillen en el cielo
¡Quedate!
Hasta que sigamos despiertos
¡Quedate!
Hasta que viva la esperanza
¡Quedate!
Hasta que las olas del mar acaricien la arena
¡Quedate!
Hasta que seamos muy viejos
¡Quedate!
Hasta el último aliento
¡Quedate!
Hoy, mañana, siempre.


Filipa Moreira da Cruz

¡Vivir es urgente!

Photo : Filipa Moreira da Cruz

¿A que esperas?
¿De que tienes miedo?
No le des más vueltas
¡Hazlo!
Mañana será demasiado tarde
Hoy es todo lo que nos queda
Solo tenemos aquí y ahora.

Filipa Moreira da Cruz


Pangeia

Reprise

E se não existissem fronteiras
Marítimas, terrestres ou aéreas?
E se houvesse uma única bandeira
De várias cores e tamanhos?
E se navegássemos todos
No imenso mar?
E se comunicássemos
Na mesma língua?
E se fossemos apenas
Seres humanos e imperfeitos?
E se cuidássemos do nosso planeta
Como se fosse a nossa última morada?
E se deixássemos de ter
Para nos concentrarmos na essência do ser?

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Paul Laurent Bressin





Sin miedo

La vida no es un problema a ser resuelto, es una realidad a experimentar.

Soren Kierkegaard

El sol se duerme… despacio
Otro día que termina
Y nosostros seguimos vivos
¿Qué vendrá mañana?
¡Ni idea!
La vida es una aventura
Y yo estoy lista para abrazarla.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Um dia…

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Certo dia, a menina perguntou ao pai:
– Quando vou ver o mar?
O pai, distraído, respondeu:
– Um dia…
A menina não desistiu. E no dia seguinte perguntou:
– Quando vamos passear juntos?
A resposta do pai foi a mesma:
– Um dia…
A menina cresceu e continuou a questionar-se quando iria andar de comboio, quando teria um bolo de aniversário, quando brincaria com o pai.
O progenitor, demasiado ocupado, adiava os momentos a dois.
Os anos voaram, o pai envelheceu e morreu. A menina foi mãe e, certo dia, o seu filho começou:
– Mãe, quando…?
A menina de outrora, sem sequer ouvir a pergunta, respondeu de imediato:
– Hoje!

Filipa Moreira da Cruz

Serenidade

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Dei rédea solta ao sentimento
Soltei todas as lágrimas
Chorei o que estava guardado
E antecepei o que virá
Lavei a alma vezes sem conta
E vesti a roupa da esperança
De que vale fazer planos?
Para quê traçar um projeto a longo prazo
Se numa questão de dias tudo muda?
O futuro está nas mãos de Deus
E não sabemos de que será feito o amanhã
Apenas o agora nos pertence
Aproveitemos cada dia…sempre!

Filipa Moreira da Cruz

Photo : Filipa Moreira da Cruz