Reflexos

Reprise

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Manuel Bandeira

Reflexos de uma vida
Sofrida, esprimida
Turbilhão de sonhos
Movimentos enfadonhos
Serpentinas de prazer
Para satisfazer os caprichos do ser
Gestos automáticos
Olhares baços, mas francos
Despojos de uma lembrança
A tempestade já virou bonança.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Tristeza

Primeiro me acabou o riso, depois os sonhos, por fim, as palavras. É essa a ordem da tristeza.

Mia Couto

O riso veste a alma com as cores do arco-íris
Os sonhos dão-nos asas
Sem eles, apenas existimos
As palavras são a voz do que nos vai no coração
Mas então, temos o direito de estar tristes?
Claro! E lá, a razão sobrepõe-se à emoção
Às vezes a alma tem de ser limpa
Para isso servem as lágrimas
As asas podem quebrar
Os sonhos dissipam-se no ar
E quando ficamos mudos
Sem palavra para tudo?
O importante é que a tristeza
Não seja eterna
E que possamos ver no sol de Inverno
A alegria da Primavera.

Filipa Moreira da Cruz

Photo : Paul Laurent Bressin

Historias

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Que nunca se apague la esperanza
Que el camino sea más que añoranza
Que no se mueran las flores del jardín
Ni las historias o leyendas sin fin
Que nunca nos quiten las estrellas en el cielo
Ni el amor puro y bello
Que no nos fallen las mariposas
Que siempre tengamos cosas hermosas
Que no se acaben las risas ni las carcajadas
Que sigamos creyendo en duendes y hadas
Que no nos olvidemos de la ternura
Ni los momentos de dulzura
Que no nos quiten lo bailado
Ni el día más deseado
Que los inviernos sean cortos
Que cuiden de nuestros corazones rotos
Que las palabras sean sinceras
Que sean largas las primaveras
Que el pasado nos sirva de lección
Que el presente rime con acción
Que los amigos siempre estén
Que la familia no se ausente
Que la vida sea un largo respiro
Que la muerte no pase de un breve suspiro.

Filipa Moreira da Cruz

Jardim florido

Um aroma intenso
Uma breve carícia
Um sorriso tímido
Uma mão permissiva
Um gesto desajeitado
Uma saudade levada pelo vento
Um retrato roubado
Um suspiro
Um alento
O sol num dia de Primavera
As flores no meu jardim
Estou aqui à tua espera
Será que vais chegar por fim?
Ah, quem me dera!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Brisa primaveril

Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.

Fernando Pessoa
Photo : Paul Laurent Bressin

É um amigo que me chama
Que me assobia de vez em quando
Invisível e imperturbável
Dança por todos os sítios por onde ando
Traz um cheiro a natureza
Envolve-me nos dias de Primavera
É uma alegria, uma surpresa
São os pássaros seus apaixonados
As flores suas amigas
E eu o seu engano
Alimentada por este visceral fado
De o ouvir ao longo do ano.

Filipa Moreira da Cruz

Vive a vida!

Reprise

Não tente compreender a vida. Viva-a!
Não tente compreender o amor. Entre no amor.

OSHO
Photo : Filipa Moreira Da Cruz

Abre os braços e acolhe a natureza
Solta-te!
Atreve-te a alcançar os teus sonhos
Nada é impossível!
Descobre que tudo o que precisas está ao teu lado
Vive o presente!
O passado já está enterrado e o futuro é uma incógnita
Agarra as folhas do bloco e escreve a tua viagem
Deixa delizar a caneta ao som da brisa primaveril
Revolta-te!
Grita!
Chora!
Sente!
Ama!
Partilha!
Ora!
Oferece!
Aprende!
Valoriza-te e vive!

Filipa Moreira da Cruz

Ao som do vento

Ninguém se deve envergonhar de ser feliz.

Luís Sepulveda
Photo : Filipa Moreira da Cruz

É um amigo que me chama
Que me assobia de vez em quando
Invisível e impenetrável
Acompanha-me por onde ando
Traz um cheiro a natureza
É a brisa que me envolve
Nos dias de menos leveza

São os pássaros seus apaixonados
As flores suas fieis donzelas
Ouve-se a melodia nos quatro costados
Sem deixar marcas nem sequelas
E eu o resisto ao engano
Que alimenta este vício
De o sentir em primeiro plano.

Filipa Moreira da Cruz

Invierno en Primavera

Podrán cortar todas las flores, pero no podrán detener la Primavera.

Pablo Neruda
Photo : Filipa Moreira da Cruz

No tengo sed ni hambre
Pero siento frío
Como si todos los días fueran Invierno
La Primavera todavia no ha llegado
¿Hasta cuando hay que esperar?
No veo pájaros ni flores
Las nubes se aburren en el cielo
Denso, espeso y gris
Siempre la misma monotonía
La lluvia nos visita a menudo
¿Es un castigo?
Cierro los ojos y pido un secreto
¿Te lo cuento?
Mejor no…
Aun así no me resigno
El sol lo llevo dentro
Y la Primavera no va a tardar.

Filipa Moreira da Cruz

Ode à Primavera

Photo : Paul Laurent Bressin

Recomeçar
Reinventar
Recriar
Reajustar
Reavivar
Reanimar
Reconciliar
Reciclar
Refazer
Recolher
Reaprender
Reerguer
Renascer
Receber
Reacender
Reagir
Reassumir
Reconstruir
Ressurgir
Acreditar
Tentar
Dar
Amar
Sonhar
Perdoar
Florescer
Crescer
Viver!

Filipa Moreira da Cruz

Paradigma Imaginário

Reprise

E partiram deste mundo descontentes estas almas que se foram com o vento. As ruas ficaram desertas, cinzentas e sujas. Um cheiro nauseabundo inundou a cidade.
Os bancos do jardim empestados de insetos e corroídos pelo medonho bicho da madeira ficaram vazios, desprovidos do sentimento dos que em neles já não se sentam.
Vê-se uma luz ténue ao longe, no horizonte. Avistam-se crianças de mãos dadas cantando. De todas as cores, de todas as formas, de todos os tamanhos crescem flores, árvores e plantas espalhadas por todo o mundo.
O amor renascera com a Primavera. Foi aclamado por todos este mágico sentimento. E, aconteça o que acontecer, perdurará para sempre!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz