A melodia das cotovias

Reprise

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Morre de sofrimento esta família que se esconde por detrás dessa janela, igual a tantas outras.
Outrora alegre, esta casa está triste e melancólica, afogada nas memórias do passado. Não é azul, mas sim preta a cor que a rodeia. O vaso está quebrado, as flores murcharam e o olhar do gato ficou transparente, insípido. As cortinas sujas e comidas pelo sol contam histórias a quem tiver coragem para as escutar.
Passaram-se seis anos desde que essa alma partiu e a vila inteira foi invadida de rancor e sofrimento.
Longe vão os tempos em que se ouvia música e se dançava até de madrugada. Nessa altura, as flores cresciam suavamente, embaladas pela doçura do riacho. Os sonhos tinham asas e as alegrias não conheciam limites. Mas ficaram para sempre os sentimentos que deslizam ao som da melodia das cotovias.

Filipa Moreira da Cruz

Vermelhão

Reprise

Vermelho de raiva ou de vergonha
De amor ou de paixão
Vermelho esquivo e incerto
Que desafia o coração
Vermelho solto e livre
De correrias e contratempos
Vermelho ousado e provocador
Que entra na dança sem ser convidado
Vermelho de mágoa e de rancor
Libertino e ousado
Vermelho vivo quando estás zangado
Pintado a tinta ou a lápis
Vermelho que à vida dá cor
E combate a solidão
Vermelho de sangue e de fogo
Derramado em guerras antigas
Vermelho de lágrimas e de choro
Na hora das despedidas
Vermelho, vermelhinho, vermelhão.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Vermelhão

Vermelho de raiva ou de vergonha
De amor ou de paixão
Vermelho esquivo e incerto
Que desafia o coração
Vermelho solto e livre
De correrias e contratempos
Vermelho ousado e provocador
Que entra na dança sem ser convidado
Vermelho de mágoa e de rancor
Libertino e ousado
Vermelho vivo quando estás zangado
Pintado a tinta ou a lápis
Vermelho que à vida dá cor
E combate a solidão
Vermelho de sangue e de fogo
Derramado em guerras antigas
Vermelho de lágrimas e de choro
Na hora das despedidas
Vermelho, vermelhinho, vermelhão.

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

A melodia das cotovias

Photo : Filipa Moreira da Cruz

Morre de sofrimento esta família que se esconde por detrás dessa janela, igual a tantas outras.
Outrora alegre, esta casa está triste e melancólica, afogada nas memórias do passado. Não é azul, mas sim preta a cor que a rodeia. O vaso está quebrado, as flores murcharam e o olhar do gato ficou transparente, insípido. As cortinas sujas e comidas pelo sol contam histórias a quem tiver coragem para as escutar.
Passaram-se seis anos desde que essa alma partiu e a vila inteira foi invadida de rancor e sofrimento.
Longe vão os tempos em que se ouvia música e se dançava até de madrugada. Nessa altura, as flores cresciam suavamente, embaladas pela doçura do riacho. Os sonhos tinham asas e as alegrias não conheciam limites. Mas ficaram para sempre os sentimentos que deslizam ao som da melodia das cotovias.

Filipa Moreira da Cruz