Saltar a cerca

Menina roliça e bonitaApressada e catitaQue passa pela minha ruaSou meu, és tuaEspedita e risonhaSou teu, és minhaAi um dia, vou ter coragemE deixarás de ser apenas uma miragemVou contar-te o que guardo no coraçãoAtravés de um poema ou de uma cançãoJuntos daremos a volta ao mundoA vida muda num segundo. Filipa Moreira da CruzLire la suite « Saltar a cerca »

Depende

Dizem que a água não tem sabor nem cheiroDepende…Dizem que os rios vão dar ao marDepende…Dizem que depois da vida só há morteDepende…Dizem que quando o sol dorme a lua despertaDepende…Dizem que um dia somos crianças e, de repente, chegamos a velhosDepende…Dizem que depois da tempestade vem a bonançaDepende…Dizem que ninguém morre por amorDepende…Dizem queLire la suite « Depende »

Asas quebradas

O anjo voa, embora não tenha asas.Quando a exaustão chega, adormece com a cabeça nas nuvens, ignorando as fortes brasas que lhe queimam os pés.O seu corpo é um imenso mar azul.A sua alma é dourada e leve como a areia da praia num dia de Verão.Não sente calor nem frio.Desconhece a fome e aLire la suite « Asas quebradas »

Ai que saudades!

Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem porque têm essa palavra para dizer que as têm. Fernando Pessoa Tenho saudades do que em tempos fui e do que nunca sereiTenho saudades do que tenho e do que ainda não encontreiTenho saudades dos que partiram Tenho saudades dos que ainda não chegaramTenho saudades dos que foram eLire la suite « Ai que saudades! »

Reflexos

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples. Manuel Bandeira Reflexos de uma vida Sofrida, esprimidaTurbilhão de sonhosMovimentos enfadonhosSerpentinas de prazerPara satisfazer os caprichos do serGestos automáticosOlhares baços, mas francosDespojos de uma lembrançaA tempestade já virou bonança. Filipa Moreira da Cruz Photos : Filipa Moreira da Cruz

Mar adentro

O mar é o habilidoso desenhador de ausências. Mia Couto Quando a alma está doenteE a esperança mais ausenteTranquiliza-me o azul do marSinto-me livre, quase a levitarSempre que a saudade me apoderaMergulho numa quimeraSou embalada pelas ondas E esqueço palavras hediondasTalvez seja o verde esmeraldaQue me tem mantido acordadaOu será o reflexo na água QueLire la suite « Mar adentro »

Bruma matinal

Realidade destorcidaFeridas abertasEsperança agradecidaPromessas incertasSilêncios desfeitosAlma ausenteSonhos insatisfeitosCoração doenteNevoeiro mentirosoOlhar esquivoBeijo gulosoGesto impulsivoBruma caprichosaFuturo incertoMão carinhosaFim do desacerto. Filipa Moreira da Cruz

Mudança

Cidade perdida no meio de um continenteGente apressada, sol quenteVento ofeganteHumor inconstantePaís que vive contra a correnteEsperança perdida para sempre Mente ausenteReceio permanentePensamentos arbitráriosDonos do mundo autoritáriosInseguranças, devaneiosEsquemas alheiosLabirinto de questõesMúltiplas opçõesFicar não é soluçãoPartir é fruto da imaginaçãoSonhos encurraladosDestroçados, espezinhadosQue fazer?Basta querer!Mudar tudo!A vida morre num segundo. Filipa Moreira da Cruz

Jardim secreto

Uma voz caladaUm grito reprimidoUma promessa seladaUm segredo escondidoUm gesto ausenteUma marca apagadaUm passado, um presenteUma mão entrelaçadaUm sonho esquecidoUma espera eternaUm sufoco oprimidoUma carícia ternaUm amor puroDois seres perdidosUma história sem futuroDois corpos esquecidos. Filipa Moreira da Cruz Photos : Paul Laurent Bressin

Serenidade

Percorro as ruas desertas da cidadeUm templo de paz e de serenidadeSubo colinas, ruelas e muralhasLiberto-me das minhas antranhas Abrigo-me nas suas artériasQuem me dera regressar a estas férias!Os jardins estão imaculadamente Limpos e ordenadosSilêncio, que se vai cantar o fado?Sinto falta do barulho, da confusãoNão sou capaz de ouvir o meu coraçãoSonho ou realidade?PoucoLire la suite « Serenidade »

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