Algumas expressões Portuguesas

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Há mudanças que são um bico de obra
Cada situação é um pau de dois bicos
Conseguir o que se quer nem sempre é pêra doce
Certas pessoas contam histórias do tempo da Maria Cachucha
Umas acreditam, outras torcem o nariz
A maioria não me chega aos calcanhares
Se pensas que fazes melhor, tira o cavalinho da chuva
Pouco importa! Perdido por cem, perdido por mil
Por muito que te esforces ficas a ver navios
E arranjas desculpas do arco da velha
Quase todos sonham em viver à grande e à francesa
Mas é tão complicado como procurar uma agulha num palheiro
Se ficarmos à sombra da bananeira
Obviamente que daremos com o nariz na porta
De nada adianta ter uma memória de elefante
Se a cabeça está (sempre) na lua
Quantas vezes meti a pata na poça?
Safo-me à résvés Campo de Ourique
Talvez esses dias tenham as favas contadas
E tudo por estar a pensar na morte da bezerra
Ele há coisas do arco da velha!
Alguns nascem com o rabo virado para a lua
Outros engolem sapos
E têm que dar muita graxa
O melhor é mesmo saber dar o braço a torcer
Fica tudo em águas de bacalhau
Porque senão, chega a dor de cotovelo
Tentamos por paninhos quentes
Puxar a brasa à nossa sardinha
E achamos que fica tudo ouro sobre azul
Mas a mostarda já chegou ao nariz
Resultado: fica o caldo entornado!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

De geração em geração

Reprise

Photo : KaDDD

Enquanto o menino olha pela janela e sonha em ser ave, flor ou raposa a professora ordena:
– João, faz a lição!
Ele regressa ao i esguio e arrebitado, desejando estar lá fora, do outro lado.
O João cresceu e cortaram-lhe as asas. Esmoreceu.
Em família de doutores e engenheiros ser amigo de bicho está fora de questão!
Casou, teve filhos e deu por si a repetir:
– João, faz a lição!
Mas este miúdo tinha alma de poeta, ouvia uma melodia e pensava logo na letra.
– Podes fazer o que quiseres, mas escrever músicas, isso é que não!
Também ele entrou na forma e desempenhou a sua missão.
O pequeno João, decidido e aventureiro queria viajar pelo mundo inteiro.
– Explorador?! Isso não é profissão!
Mas este rapaz era um guerreiro, desarmou professores e desafiou a família.
Ia fazer o que bem entendia!
E quando o pai estavas prestes a dizer a fatídica frase que nunca saltara uma geração, o jovem exclamou:
– Já chega de fazer a lição, vou seguir o meu coração!

Filipa Moreira da Cruz

Street art

Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor.

Chico Buarque

Amanhecer
O sol derrama, na calçada,
a sua bela, matinal urinada.

Mário Quintana

Photos : Filipa Moreira da Cruz

A importância da língua materna

Reprise

Photo : KaDDD

Todos os anos, a 21 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna. Esta data foi aprovada pela Assembleia Nacional das Nações Unidas em 2002, embora tenha sido anunciada, pela primeira vez, em 1999, em homenagem ao Paquistão. Este país foi criado em 1947 e, na altura, o governo decidiu que o urdu seria a língua oficial, sem ter em conta a extensa população que falava bengali. As manifestações foram sangrentas e juntam-se à lista de tantas outras que mancharam de sangue a história do Paquistão. Centenas de pessoas sacrificaram as suas vidas em nome da sua língua materna.

Cabe à Unesco promover e difundir o respeito por todas as línguas. Este organismo defende que a diversidade linguística e cultural não pode ser dissociada da história da nação. A língua materna faz parte da identidade de cada povo e proteger a identidade também é uma questão crucial no âmbito dos direitos humanos. De acordo com relatórios recentes, 40% da população mundial não tem acesso à educação no idioma que fala ou entende melhor.

A língua é muito mais do que um aglomerado de letras que dão origem a palavras que fazem sentido. As frases tomam forma, os relatos ganham vida, até mesmo para aqueles que não sabem ler nem escrever. A língua é viva, acompanha os tempos, ganha asas. E a materna é rica em afetos, tradições, lendas e fábulas. Passa de geração em geração graças à família, aos amigos, aos vizinhos. Tem sido assim desde a pré-história, muito antes do nascimento da escrita.

Sou fluente em cinco idiomas (e consigo expressar-me, minimamente, num outro) por necessidade e, sobretudo, por prazer. Comunicar faz parte do meu ADN e cada vez que mudo de país adapto-me à sua língua materna. Faz parte da integração expressar-se, o melhor possível, na língua do país onde decidimos viver. Confesso que tenho facilidade em passar de um idioma para outro, mas nunca me esqueço que o português é a minha língua materna e penso que nenhuma outra soa tão bem como a nossa.

Photo : KaDDD

Os meus filhos nasceram em Paris e têm nacionalidade francesa, no entanto, as primeiras palavras que disseram foram portuguesas. Optei por falar com eles sempre em português. São bilingues desde que nasceram e, em Espanha, comunicavam em três línguas sem qualquer problema. Na escola aprendem inglês e, no próximo ano letivo, o meu filho vai estudar espanhol. Tem pena que não haja a opção de português.

Fazer um esforço para comunicar numa língua que não é a nossa num país estrangeiro não significa aniquilar a língua materna. Infelizmente, é isso que ainda fazem algumas nações chauvinistas. Muitos portugueses, italianos e espanhóis que emigraram para França deixaram de falar no seu idioma com medo de serem ostracizados. Ainda há pouco tempo um colega de escola da minha filha disse-me, num tom autoritário, que em França fala-se francês. A criança tem 9 anos e não sabe que, durante muito tempo, na região onde vivemos, a Bretanha, muitos comunicavam apenas no dialeto local, recusando-se mesmo a aprender a língua de Molière.

Até agora, foi em Espanha, onde senti um maior respeito pela diversidade linguística. O país adotou o castelhano como idioma oficial, mas várias regiões viram as suas línguas adquirirem o estatuto de co-oficiais, entre as quais, o catalão, o valenciano, o galego e o euskera. Vivi um ano no País Basco e aprendi o idioma local à custa de muito esforço e perseverança. O euskera é uma das línguas mais antigas do mundo e não se assemelha a nenhuma outra. Tem um caráter próprio e os bascos fazem questão de mantê-la viva. Tiro-lhes o chapéu por saberem fazê-lo com arte, maestria e humor.

Respeito todas as línguas e talvez me lance na aprendizagem de uma sétima, por gosto. No entanto, assumo, sem pudor, que em nenhuma outra encontro palavras tão bonitas como mãe e saudade.

Filipa Moreira da Cruz

Street art

Sábio é quem se contenta com o espectáculo do mundo.

Fernando Pessoa

De tudo o que nós fazemos de sincero e bem intencionado alguma coisa fica.

Florbela Espanca

Photos : Filipa Moreira da Cruz

Algumas expressões Portuguesas

Há mudanças que são um bico de obra
Cada situação é um pau de dois bicos
Conseguir o que se quer nem sempre é pêra doce
Certas pessoas contam histórias do tempo da Maria Cachucha
Umas acreditam, outras torcem o nariz
A maioria não me chega aos calcanhares
Se pensas que fazes melhor, tira o cavalinho da chuva
Pouco importa! Perdido por cem, perdido por mil
Por muito que te esforces ficas a ver navios
E arranjas desculpas do arco da velha
Quase todos sonham em viver à grande e à francesa
Mas é tão complicado como procurar uma agulha num palheiro
Se ficarmos à sombra da bananeira
Obviamente que daremos com o nariz na porta
De nada adianta ter uma memória de elefante
Se a cabeça está (sempre) na lua
Quantas vezes meti a pata na poça?
Safo-me à résvés Campo de Ourique
Talvez esses dias tenham as favas contadas
E tudo por estar a pensar na morte da bezerra
Ele há coisas do arco da velha!
Alguns nascem com o rabo virado para a lua
Outros engolem sapos
E têm que dar muita graxa
O melhor é mesmo saber dar o braço a torcer
Fica tudo em águas de bacalhau
Porque senão, chega a dor de cotovelo
Tentamos por paninhos quentes
Puxar a brasa à nossa sardinha
E achamos que fica tudo ouro sobre azul
Mas a mostarda já chegou ao nariz
Resultado: fica o caldo entornado!

Filipa Moreira da Cruz

Photos : Filipa Moreira da Cruz

A importância da língua materna

Photo : KaDDD

Todos os anos, a 21 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna. Esta data foi aprovada pela Assembleia Nacional das Nações Unidas em 2002, embora tenha sido anunciada, pela primeira vez, em 1999, em homenagem ao Paquistão. Este país foi criado em 1947 e, na altura, o governo decidiu que o urdu seria a língua oficial, sem ter em conta a extensa população que falava bengali. As manifestações foram sangrentas e juntam-se à lista de tantas outras que mancharam de sangue a história do Paquistão. Centenas de pessoas sacrificaram as suas vidas em nome da sua língua materna.

Cabe à Unesco promover e difundir o respeito por todas as línguas. Este organismo defende que a diversidade linguística e cultural não pode ser dissociada da história da nação. A língua materna faz parte da identidade de cada povo e proteger a identidade também é uma questão crucial no âmbito dos direitos humanos. De acordo com relatórios recentes, 40% da população mundial não tem acesso à educação no idioma que fala ou entende melhor.

A língua é muito mais do que um aglomerado de letras que dão origem a palavras que fazem sentido. As frases tomam forma, os relatos ganham vida, até mesmo para aqueles que não sabem ler nem escrever. A língua é viva, acompanha os tempos, ganha asas. E a materna é rica em afetos, tradições, lendas e fábulas. Passa de geração em geração graças à família, aos amigos, aos vizinhos. Tem sido assim desde a pré-história, muito antes do nascimento da escrita.

Sou fluente em cinco idiomas (e consigo expressar-me, minimamente, num outro) por necessidade e, sobretudo, por prazer. Comunicar faz parte do meu ADN e cada vez que mudo de país adapto-me à sua língua materna. Faz parte da integração expressar-se, o melhor possível, na língua do país onde decidimos viver. Confesso que tenho facilidade em passar de um idioma para outro, mas nunca me esqueço que o português é a minha língua materna e penso que nenhuma outra soa tão bem como a nossa.

Photo : KaDDD

Os meus filhos nasceram em Paris e têm nacionalidade francesa, no entanto, as primeiras palavras que disseram foram portuguesas. Optei por falar com eles sempre em português. São bilingues desde que nasceram e, em Espanha, comunicavam em três línguas sem qualquer problema. Na escola aprendem inglês e, no próximo ano letivo, o meu filho vai estudar espanhol. Tem pena que não haja a opção de português.

Fazer um esforço para comunicar numa língua que não é a nossa num país estrangeiro não significa aniquilar a língua materna. Infelizmente, é isso que ainda fazem algumas nações chauvinistas. Muitos portugueses, italianos e espanhóis que emigraram para França deixaram de falar no seu idioma com medo de serem ostracizados. Ainda há pouco tempo um colega de escola da minha filha disse-me, num tom autoritário, que em França fala-se francês. A criança tem 9 anos e não sabe que, durante muito tempo, na região onde vivemos, a Bretanha, muitos comunicavam apenas no dialeto local, recusando-se mesmo a aprender a língua de Molière.

Até agora, foi em Espanha, onde senti um maior respeito pela diversidade linguística. O país adotou o castelhano como idioma oficial, mas várias regiões viram as suas línguas adquirirem o estatuto de co-oficiais, entre as quais, o catalão, o valenciano, o galego e o euskera. Vivi um ano no País Basco e aprendi o idioma local à custa de muito esforço e perseverança. O euskera é uma das línguas mais antigas do mundo e não se assemelha a nenhuma outra. Tem um caráter próprio e os bascos fazem questão de mantê-la viva. Tiro-lhes o chapéu por saberem fazê-lo com arte, maestria e humor.

Respeito todas as línguas e talvez me lance na aprendizagem de uma sétima, por gosto. No entanto, assumo, sem pudor, que em nenhuma outra encontro palavras tão bonitas como mãe e saudade.

Filipa Moreira da Cruz

De geração em geração

Photo : KaDDD

Enquanto o menino olha pela janela e sonha em ser ave, flor ou raposa a professora ordena:
– João, faz a lição!
Ele regressa ao i esguio e arrebitado, desejando estar lá fora, do outro lado.
O João cresceu e cortaram-lhe as asas. Esmoreceu.
Em família de doutores e engenheiros ser amigo de bicho está fora de questão!
Casou, teve filhos e deu por si a repetir:
– João, faz a lição!
Mas este miúdo tinha alma de poeta, ouvia uma melodia e pensava logo na letra.
– Podes fazer o que quiseres, mas escrever músicas, isso é que não!
Também ele entrou na forma e desempenhou a sua missão.
O pequeno João, decidido e aventureiro queria viajar pelo mundo inteiro.
– Explorador?! Isso não é profissão!
Mas este rapaz era um guerreiro, desarmou professores e desafiou a família.
Ia fazer o que bem entendia!
E quando o pai estavas prestes a dizer a fatídica frase que nunca saltara uma geração, o jovem exclamou:
– Já chega de fazer a lição, vou seguir o meu coração!

Filipa Moreira da Cruz

carpe diem

Photo : KaDDD

O mês de dezembro foi peculiar e o dia do meu aniversário foi passado entre o apartamento onde vivo e uma excursão a quatro até ao centro de rastreio Covid. Uma semana antes tínhamos estado em casa de dois familiares do meu marido que confirmaram, mais tarde, serem positivos. Confesso que, na altura, ninguém tinha máscara, com exceção do meu filho que raramente se separa dela (tal foi o susto que apanhou com o maldito vírus!). Após este episódio infeliz, a Segurança Social exigiu-nos dois testes, o serológico e o RT-PCR. O primeiro confirmou-nos duas coisas: tivemos o vírus e ainda temos anticorpos. Obviamente que o segundo deu negativo.

Um momento de desatenção provocou uma reviravolta nas nossas rotinas. Os meus filhos não foram à escola durante oito dias e os amigos mais chegados entraram em pânico. Eu estive em teletrabalho e os nove colegas com os quais partilho habitualmente o mesmo espaço foram forçados a fazer o mesmo, por precaução. Felizmente, o meu marido não pode trabalhar à distância, por isso, couberam-lhe a ele as tarefas domésticas, algo que faz com agrado.

Foram vários os Natais que não passei no meu país por razões profissionais. Os meus filhos fazem questão de se reunir com a família portuguesa nesta altura do ano e estão habituados a viajar sozinhos. Prometi-lhes que, em 2020, não trabalharia durante este período e que, estaríamos todos juntos em Portugal. Pude apenas cumprir uma das promessas. Ainda não foi desta que nos voltamos a reunir.

Em França, os restaurantes, cafés, pastelarias e bares estão totalmente fechados desde 30 de outubro e devem permanecer assim, até pelo menos, 20 de janeiro. Cenário idêntico para os cinemas, teatros e salas de espetáculos. É desolador passear pelas ruas pedonais do centro histórico da cidade onde vivo. O recolher obrigatório também continua e agora passou a ser das 20h00 às 06h00. A única exceção é o dia 24 de dezembro. No último dia do ano estarão 100.00 polícias na rua para que a população cumpra o distanciamento social. Liberdade (mais que) condicionada. Tolerância zero.

Apesar do governo ter autorizado seis adultos (as crianças não contam) na ceia de Natal nós decidimos passar a noite de 24 de dezembro só os quatro. A minha filha ficou tão traumatizada com o teste Covid que se recusa a partilhar a casa com outras pessoas que não pertençam ao agregado familiar.

A mesa foi decorada a preceito e cada um tinha um menu personalizado. O chef impressionou-nos com o seu sumptuoso festim. E até houve bacalhau! Jogamos ao Cluedo, ao Trivial Pursuit Junior e quando eu já estava à beira de um ataque de nervos com o interminável Monopoly o meu filho decidiu que estava na hora de abrir os presentes. Aleluia!

Este ano foi assim. Em 2021 logo se verá. Deixei de fazer planos e cada vez tenho menos expectativas. Vivo o momento porque há certas realidades que nos escapam e outras que nunca chegamos a controlar. Carpe diem.

Filipa Moreira da Cruz
Dezembro 2020

« Estou farta deste vírus! »

Photo : KaDDD

Et voilà, o dia 1 de maio também esteve de quarentena. A “fête du travail” celebra-se no país galo desde 1793 e é quase tão importante como o 14 de julho (dia nacional). Pela primeira vez, não houve festejos nem desfiles da CGT ou da “France Ouvrière”. Neste mesmo dia, celebra-se outra festa: a do muguet (lírio do vale) que remonta ao século XVI. Faz parte da tradição oferecer esta flor como símbolo de felicidade, prosperidade e boas colheitas. Tudo isto em torno de um almoço com a família ou os amigos, regado com bom vinho. O governo proibiu a venda do muguet, apesar da pressão exercida pelos supermercados, floristas, horticultores e outros. Uma premiére mal digerida por muitos que se sentiram nús sem a flor “du bonheur” apenas comparável à tristeza dos sindicatos sem as suas bandeiras na rua.

Certo dia, a Mathilde decretou: «não quero ouvir mais nada da Covid-19. Estou farta deste vírus!». Já nada me estranha por parte da minha filha que, aos 3 anos, me perguntou porque é que eu era “a única gorda da família”. Na altura, fiquei sem resposta e ela rematou com um “gosto muito de ti” sincero e um abraço apertadinho. A Mathilde é assim mesmo, direta, decidida, mas carinhosa. Sai mesmo à titi Jo! O Stan é o oposto; sensível, reservado, ponderado. Talvez por isso, não me tenha surpreendido ao dizer que “os adultos estão tão preocupados com a doença, o trabalho e o dinheiro que se esquecem de viver. Com medo, não avançam”. Parece que se puseram os dois de acordo no boicote ao coronavírus, cada um à sua maneira.

Estive tão concentrada em evitar ler notícias trágicas que perdi o discurso do primeiro-ministro Edouard Philippe na Assembleia Nacional. Não fui a única. E mesmo os que ouviram todas as medidas que serão aplicadas brevemente não perceberam quase nada, deputados incluídos. Sãs muitas as incoerências e poucas as certezas. O estado de emergência sanitária foi prolongado até 24 de julho. No entanto, o início da retoma económica será já a partir de 11 de maio. Resumindo:

  • Abertura dos pequenos comércios, bibliotecas e pequenos museus, com exceção dos que não puderem aplicar as regras de higiene e segurança (cafés e restaurantes não estão incluídos);
  • Abertura de jardins e parques públicos (somente nas regiões autorizadas);
  • Abertura do pré-escolar e do básico com base no voluntariado (?) e máximo de 15 crianças por sala (o secundário e as universidades ainda não têm data marcada);
  • Aumento gradual da circulação dos transportes públicos (sempre com máscara), mas preferível o uso dos transportes individuais (carro, trotinete, bicicleta);
  • Livre circulação sem atestado até 100 km do local de residência;
  • Restrição de convívios a 10 pessoas;
  • Favorecer, ao máximo, o regime de teletrabalho ou aplicar horários alternados nas empresas, a fim de evitar grande número de colaboradores ao mesma tempo.

Com o propósito de gerir da melhor forma possível o início do desconfinamento, o território francês vestiu-se com as cores da bandeira de Portugal. A partir de agora, França está dividida em três zonas: verde, amarela e vermelha. Estas foram atribuídas tendo em conta dois critérios: o número de casos de Covid-19 confirmados e a capacidade de resposta dos hospitais. Após várias polémicas, (ou não estivesse eu a viver num país onde queixar-se faz parte do ADN) o mapa tricolor foi apresentado oficialmente. Por sorte, a Bretanha está pintada com a cor da esperança, tal como, a Normandia, a costa Atlântica, o país Basco e a Côte d’Azur. De amarelo ficaram o centro e os Alpes. Quanto ao norte, à região do grande este e à Île de France foram cobertos pela cor do fogo e do sangue. Os habitantes de Bordéus, Nantes, Marselha ou Nice encontraram o trevo de quatro folhas. Os que vivem em Lyon, Grenoble ou Orléans são mais controlados. Por outro lado, Paris, Estrasburgo ou Lille são os frutos proibidos.

Tal como num jogo decisivo entre o Benfica e o Sporting, ainda está tudo em aberto. Até ao apito final muita coisa pode acontecer. O verde pode virar vermelho e vice-versa. Os franceses sonham com o regresso à vida de antes e queixam-se, cada vez mais, da privação de liberdade individual e coletiva. Ainda assim, o tão ansiado regresso à “normalidade” está em suspenso. Só nos resta esperar.

Filipa Moreira da Cruz
Maio 2020