Poema

Em prosa ou em versoDe estrofes soltas ou emparelhadasCom rimas seguidas ou cruzadas.Um cheiro, uma paisagem, um olharUm quadro, um sorriso, uma melodia.Íntimo ou partilhadoReal ou fruto da nossa fantasia.Escrito, pintado, cantado, sentidoO que seria de nósSem um poema por dia? Filipa Moreira da Cruz

A galinha da vizinha

D. Maria tinha uma galinhaEspevitada, traquinasRechonchuda e pequenina. Joaquina, a galinhaVaidosa e convencidaJulagava-se irresistível de tão bem parecida. Tinha tiques e maniasCacarejava alto e sem pudor.Só lhe faltava falar para ser gente maior. Certo dia, não acordouD. Maria ficou assustada,Mas na capoeira não encontrou nada. Joaquina fez as malasDecidida e aventureiraCansou-se da sua vida prazenteira.Lire la suite « A galinha da vizinha »

De geração em geração

Enquanto o menino olha pela janela e sonha em ser ave, flor ou raposa a professora ordena:– João, faz a lição!Ele regressa ao i esguio e arrebitado, desejando estar lá fora, do outro lado.O João cresceu e cortaram-lhe as asas. Esmoreceu.Em família de doutores e engenheiros ser amigo de bicho está fora de questão!Casou, teveLire la suite « De geração em geração »

Paris, mon amour

Cidade luz, capital do amor e do sublimeNem sei por onde começar porque não quero que termineFoste casa, brindaste-me com amigosAh e viste nascer os meus filhos!Sempre que penso em ti fico desamparadaEste namoro dura há anos e eu sem ti sou quase nada. Filipa Moreira da Cruz Photos : Filipa Moreira da Cruz

Alma

Ó alma desgarradaQue andas por aí à solta.Tropeçando nos desvarios de tanta gente louca. Arranca-me deste corpo,Eu a ti já não pertenço.Quero sobrevoar o mundoPara visitar o que já não conheço. Tristes aqueles que sabem tudoE mais infelizes ainda os que não querem ver.O universo é infinito, mas o fim está tão perto… No deserto,Lire la suite « Alma »

Sangue, suor e lágrimas

Durante os quase 8 anos que vivi em Paris conheci vários libaneses, tendo ficado amiga de alguns. Recordo-me bem do dono da padaria no XVIème arrondissement e nunca me esquecerei do médico que trouxe ao mundo os meus dois filhos. Os libaneses não viram as costas à pátria e têm prazer em partilhar as históriasLire la suite « Sangue, suor e lágrimas »

A história do Senhor Não

Era uma vez um homem carrancudo, sisudo, mal humorado. Comum, banal, igual a tantos outros. Carrageva o mundo nos ombros e as suas pernas começavam a fraquejar. Vestia-se de preto porque a vida não estava para outras cores. Este homem tinha uma particularidade capaz de o distinguir de todos os outros seres humanos: dizia sempreLire la suite « A história do Senhor Não »

Despojos de uma vida

Passei por este mundo como tantos,Mas amei como tão poucos.Vivi, sem pressa, sem medo, sem prantosFazendo dos dias enfadonhos momentos loucos. Caminhei com os pés bem assentesNesta terra que suavemente me acolheuE me deixou partir livre e sem correntes,Sem me esquecer de tudo o que ela me deu. Finalmente, sou apenas espírito e recordaçãoE umaLire la suite « Despojos de uma vida »

Mãe

Mãe solteira, mãe casadaMãe viúva ou divorciada Mãe leoa, mãe galinhaMãe corajosa como a minha Mãe alheia, mãe ausenteMãe amiga, sempre presente Mãe espancada, abandonadaMãe forte e recuperada Mãe adúltera e egoístaMãe enganada, mas pacifista Mãe afetos, amor e coraçãoMãe calculista e só razão Mãe jovem, quase irmãMãe madura, mas tão sã Mãe diplomada eLire la suite « Mãe »

Bem devagar

Temos pressa de nascer,De crescer e de ser gente grande.Somos todos escravosDessa estúpida ansiedadeDe desaprender sem antes errar. De chegar bem altoSem nunca ter caído.De ser o primeiro sem tropeçar.De ir sempre mais longeSem sequer tentar. Pressa de ter e de gastar,De trabalhar e de espezinhar.E de ganhar, sim de ganhar.Pressa de viver. Será? ELire la suite « Bem devagar »

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