Depende

Dizem que a água não tem sabor nem cheiroDepende…Dizem que os rios vão dar ao marDepende…Dizem que depois da vida só há morteDepende…Dizem que quando o sol dorme a lua despertaDepende…Dizem que um dia somos crianças e, de repente, chegamos a velhosDepende…Dizem que depois da tempestade vem a bonançaDepende…Dizem que ninguém morre por amorDepende…Dizem queLire la suite « Depende »

Ai que saudades!

Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem porque têm essa palavra para dizer que as têm. Fernando Pessoa Tenho saudades do que em tempos fui e do que nunca sereiTenho saudades do que tenho e do que ainda não encontreiTenho saudades dos que partiram Tenho saudades dos que ainda não chegaramTenho saudades dos que foram eLire la suite « Ai que saudades! »

Bruma matinal

Realidade destorcidaFeridas abertasEsperança agradecidaPromessas incertasSilêncios desfeitosAlma ausenteSonhos insatisfeitosCoração doenteNevoeiro mentirosoOlhar esquivoBeijo gulosoGesto impulsivoBruma caprichosaFuturo incertoMão carinhosaFim do desacerto. Filipa Moreira da Cruz

Mudança

Cidade perdida no meio de um continenteGente apressada, sol quenteVento ofeganteHumor inconstantePaís que vive contra a correnteEsperança perdida para sempre Mente ausenteReceio permanentePensamentos arbitráriosDonos do mundo autoritáriosInseguranças, devaneiosEsquemas alheiosLabirinto de questõesMúltiplas opçõesFicar não é soluçãoPartir é fruto da imaginaçãoSonhos encurraladosDestroçados, espezinhadosQue fazer?Basta querer!Mudar tudo!A vida morre num segundo. Filipa Moreira da Cruz

Serenidade

Percorro as ruas desertas da cidadeUm templo de paz e de serenidadeSubo colinas, ruelas e muralhasLiberto-me das minhas antranhas Abrigo-me nas suas artériasQuem me dera regressar a estas férias!Os jardins estão imaculadamente Limpos e ordenadosSilêncio, que se vai cantar o fado?Sinto falta do barulho, da confusãoNão sou capaz de ouvir o meu coraçãoSonho ou realidade?PoucoLire la suite « Serenidade »

Êxtase da vida

Todos os dias acordo Deambulando nos meus sonhosQue partilho com o meu amigoArrebatador, secreto, fiel O espírito empurra-me Por entre as labaredas do passadoQue me perseguem e arrastamPara essa constante saudade As trevas da escuridãoAs estrelas da noite claraSão confidentes nas horas divididasEntre o cansaço e a insônia Tantas vezes hesiteiLamentei lágrimas Escondi frustraçõesDesafiei monstrosLire la suite « Êxtase da vida »

Quebra cabeças

Alma na lamaLama nos pés Pés descalçosDescalços os sonhosSonhos levados pelo ventoVento áspero e violentoViolento golpe de estadoEstado de bonançaBonança aparenteAparente felicidadeFelicidade que escapa Escapa entre os dedos Dedos mágicosMágicos segundos Segundos escravos do tempoTempo dono e senhor da vidaVida simplesmente… vivida! Filipa Moreira da Cruz

Pés no chão, cabeça nas nuvens

Admiro essa tua capacidadePara enfrentar a verdadeA qualquer preçoCom zelo e sem adereço Quando perco o chãoDás-me um abanãoColocas-me de péDevolves-me a fé O meu corpo habita o teu planetaMas os meus sonhos vivem noutro cometaA minha razão une-se à tuaO espírito é teimoso e vive na lua Tu és pacienteVives o instante presenteEu souLire la suite « Pés no chão, cabeça nas nuvens »

Nó na garganta

Grito reprimido, palavras não ditasSufoco na garganta que asfixia o peitoMundo virado do avesso, sem eira nem beiraToxinas à solta que perturbam o sonoE a paz de espírito tão desejada. Corrida contra o tempo, esse senhor doutoradoQue brinca com a nossa paciênciaIlusão de que as posses fazem de nós seres felizesDespojos de uma vida incompletaQueLire la suite « Nó na garganta »

Escrever certo por linhas tortas

Por vezes sou mal interpretadaLêem-me os pensamentos de forma erradaNão decifram em que me aplicoNem identificam o que comunicoMas isso pouco importa!Até o Todo Poderoso escreve certo por linha tortaE eu não pretendo ser Deus (obviamente!)Mas protejo os meusSempre! Filipa Moreira da Cruz

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